Coletivo Mundo no Jornal Correio
O MUNDO E A SEMAM
Por CARLOS ARANHA
“Correio da ParaÃba”, 21/janeiro/2010
http://www.correiodaparaiba.com.br
O Coletivo Mundo oferece um dos tons principais da renovação sempre necessária à cultura de João Pessoa. Ele opera uma transição para que não fiquemos somente com o que está consolidado. Com outros conteúdos e formas, de outros atos e maneiras, o Coletivo Mundo representa para a juventude pessoense desta década o que foram, em tempos e espaços diferentes, o Grupo Sanhauá, os tropicalistas, a geração do poema-processo, a turma valorosa do Piollin, os experimentalistas da Sala Preta do Decom, o Jaguaribe Carne, o Poecodebar e a Oficina do Capim. Hoje, em paralelo ao Coletivo Mundo, a Tribo Ethnos e todos os que batalham com as linguagens em torno do hip-hop.
O que de inÃcio parecia limitar-se a uma utopia de percurso curto, terminou por crescer, agregar uma geração ávida por mudanças estéticas e distante das repetições polÃticas, e consolidar-se como a vanguarda artÃstica na João Pessoa de hoje. Não foi por mera semelhança e coincidência que o Espaço Mundo, numa das esquinas da Praça Anthenor Navarro, nasceu como um pungente e urgente ponto de referência para os anseios da juventude que não contenta-se apenas com o legado das vanguardas anteriores nem fica satisfeita com os modelitos modernosos ditados por “animadores culturais” que, invariavelmente, terminam servindo à linguagem dominante da tevê aberta.
(Este parênteses é para lembrar que eles estão, ano a ano, fazendo crescer um dos mais importantes festivais do Nordeste, cuja última edição foi na Usina Cultural Energisa).
Agora o Espaço Mundo enfrenta, juntamente com o Candeeiro Encantado (no Largo de São Pedro Gonçalves), um problema que pode matar mais um dos nossos necessários sonhos juvenis de mudança. Um código de meio ambiente inadequado à quilo que representam alguns espaços da cidade (como o Baixo Centro Histórico) faz com que a Semam do MunicÃpio ponha em xeque a continuidade de eventos artÃsticos importantes. Caminhante entre mudancistas percursos artÃsticos, o prefeito Ricardo Coutinho pode e deve achar uma solução para o desnecessário confronto iniciado pela Semam. Ã? tempo.
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