Vou danado pra Catende
segunda-feira, abril 19th, 2010A maior vantagem da forma independente de trabalho é, sem duvida, a liberdade de programar tudo ao seu gosto e critério e de acordo com as possibilidades. Quando acredita-se na possibilidade.Ha uma semana a banda Burro Morto encontra-se em turnê por São Paulo e Minas Gerais, juntamente com a banda Cabruêra. São onze cidades pelas quais asbandas irão passar mostrando o som que é feito na ParaÃba.
Até pouco tempo atrás, falava-se na dificuldade imensa que uma banda nordestina enfrentava para fechar turnê no “eixo”. A própria Cabruêra, com mais tempo de estrada, deve ter enfrentado muito mais dificuldade quando deu seus primeiros passos em direção ao sul. No livro Do Frevo ao Manguebeat, José Telles descreve a dificuldade dos artistas nordestinos conseguirem se destacar no sul, isso na década de 70. Zé Ramalho tem umas histórias bem amarguradas dessa época. O “eixo” ja não gira no prumo, e nossa conectividade com os Fora do Eixo no permite essa possibilidade.
Não estou dizendo aqui que é a coisa mais fácil do mundo, que São Paulo é logo ali. Ã? preciso certa credibilidade, profissionalismo e contatos. Ã? preciso se prontificar a ir, custe o que custar, porque é preciso se divulgar. Ã? preciso dormir em condições não tão confortáveis, pra poder alcançar o maior número de cidades possÃvel. Ã? preciso saber que uma turnê, Brasil à dentro, não é a coisa mais glam, não é a coisa mais rockstar, e não é pra qualquer um. Ã? pra quem gosta muito da música que está tocando e acredita de verdade que aquele produto pode agradar paulistas, mineiros e quem mais estiver na platéia. Porque daà você encara o risco.
Até o fim do ano irão parar em outras terras, além da Burro Morto, que está com mais uma turnê marcada para começar no dia 20 de Maio, a banda Nublado. A Cerva Grátis fará onze datas no Nordeste em Julho. Os Reis da Cocada Preta seguindo o embalo da Feira da Musica de Fortaleza, pretendem rodar o Nordeste em Agosto. A Dalva suada lança seu EP em Campina Grande, Recife e Natal, além de João Pessoa, agora, no começo de Maio. Valendo-se da preparação nordeste adentro, das experiências e das viagens, chegar a fazer uma turnê no sul do paÃs é uma questão de visão. Ã? um investimento no público que poderá ser cativado.
E veja bem, ja temos duas boas bandas abrindo as portas pra sons vindos da ParaÃba. Não se enganem, a receptividade é maravilhosa e nossa peculiaridade cativa. Somos a nova geração indo “danado pra catende”.
[Da coluna do Coletivo Mundo no Portal PB1]