A Fête de la Musique foi criada há mais vinte anos na França, e ocorre na data de 21 de junho, em comemoração ao solsticio verão no Hemisfério Norte. Neste dia, o país é invadido por músicos de todos os sons e instrumentos, tanto em salas apropriadas como em lugares improvisados (galpões que viram teatros, barcos que viram salas de concerto, escolas que viram palcos para apresentações e improvisações, bandas e orquestras que saem às ruas etc.), mas sobretudo nas esquinas das ruas e nos parques e praças das cidades. Hoje a Festa da Música consolidou-se e faz parte do calendário cultural da França… e do mundo! Diante do sucesso, sua fórmula foi exportada para os quatro cantos do mundo (participação de 110 paises) que fazem, cada um a seu modo, uma celebração nos moldes da Festa da Música francesa.
Em João Pessoa, a festa ocorre pela primeira vez, sob a produção coletiva do Movimento Cultural Varadouro e com apoio da Aliança Francesa, no Centro Histórico da capital, a partir das 17h, com apresentações espalhadas pelo Largo de São Pedro, Praça Antenor Navarro, Espaço Mundo e Casa de Cultura Cia da Terra.
Foto: Orquestra Contemporânea de Olinda numa das noites do APR Club por Aline Feitosa
Por Anderson Foca
RECIFE ANTIGO OU CARNAVAL DE OLINDA? APR Club tem noite memorável com lotação de público e shows incensados
??Essa é uma noite especial e este é um show inesquecível para o Mundo Livre?, está foi a frase de Fred Zero Quatro, vocalista doMundo Livre, depois do segundo bis que a banda deu no lotadíssimo APR Club na noite do último sábado. Só por esse começo de texto já dá para ter uma idéia do que rolou numa das principais noites da programação do Abril Pro rock 2010, desta vez realizada dentro de um galpão/espaço para mais de 1.000 pessoas bem no meio do Recife Antigo.
O novo formato do evento mostrou-se acertado e revigora ainda mais as ações do Abril Pro Rock nestes 18 anos de atividade e manda um recado claro para o Recife: a cidade precisa de uma casa como essa para escoar a incrível produção local fora do ambiente dos shows públicos (praxe na cena pernambucana).
Para quem não estava lá retrato o ambiente: um salão principal enorme em forma de hall com uma área aberta de lounge e um terceiro galpão que foi utilizado pros shows com um espaço reservado na lateral. Tudo decorado provisoriamente para receber as datas do APR Club (que terminam semana que vem com dois shows do Dead Fish).
Já cedo a Rua do Apolo parecia Olinda em dia de carnaval. Muita gente, camelôs, músicos, todos interessados em dividir o espaço com o Mundo Livre, Camarones Orquestra Guitarrística (RN) e Burro Morto (PB). O clima foi esquentando com a discotecagem certeira de Paulo André (boss do festival) e por volta da meia-noite o Burro Morto começou sua apresentação. Banda em atividade com tours você já nota a diferença de cara. Como o Burro Morto cresceu como banda desde a última vez que os vi. Os beats estão mais legais, a banda muito entrosado e o show fluindo bem, caindo como uma luva pro espaço do APR Club. Muito bom.
Por Marcel Albuquerque (pendriveblog)
GUITARRAS ALTAS E PESADAS
Já com o local absolutamente lotado o Camarones de Natal subiu ao palco com uma música incidental da Orquestra Brasileira de Música Jamaicana. Quando a banda começou a tocar foi que a coisa esquentou de vez. O som estava ótimo, com muita pressão e o show foi envolvendo a platéia que quando percebi acabou. Merecia mais tempo. Foi uma das apresentações mais instigantes de todo oAbril Pro Rock, e que se repetiria no domingo, quando a banda fez show extra no Nave para cerca um público seleto.
Fazia tempo que não via o Mundo Livre num ambiente fechado e em clima de pub. A fórmula contagiou banda e público. Foram dois longos bis e quase duas horas de apresentação dos reis do Recife, junto com a Nação Zumbi. Quase tudo estava lá. A voz pouca precisa e charmosa de 04 e a excelente formação nova da banda (é nova mesmo?) com destaque pro tecladista Léo D. Hits? Foram muitos. Me incomoda a mudança de arranjos de alguns deles, mas depois de quase 15 anos tocando as mesmas músicas dá para entender.
No final o público ainda foi presenteado com algumas músicas que vão fazer parte do disco novo do Mundo Livre que começa a ser gravado ainda esse semestre. Onde você estava sábado? Quem não foi pode se arrepender e ter perdido uma das mais poderosas festas do ano no Recife. Será que tem jeito do APR Club continuar aberto? Seria um presente para cidade?
A maior vantagem da forma independente de trabalho é, sem duvida, a liberdade de programar tudo ao seu gosto e critério e de acordo com as possibilidades. Quando acredita-se na possibilidade.Ha uma semana a banda Burro Morto encontra-se em turnê por São Paulo e Minas Gerais, juntamente com a banda Cabruêra. São onze cidades pelas quais asbandas irão passar mostrando o som que é feito na Paraíba.
Até pouco tempo atrás, falava-se na dificuldade imensa que uma banda nordestina enfrentava para fechar turnê no “eixo”. A própria Cabruêra, com mais tempo de estrada, deve ter enfrentado muito mais dificuldade quando deu seus primeiros passos em direção ao sul. No livro Do Frevo ao Manguebeat, José Telles descreve a dificuldade dos artistas nordestinos conseguirem se destacar no sul, isso na década de 70. Zé Ramalho tem umas histórias bem amarguradas dessa época. O “eixo” ja não gira no prumo, e nossa conectividade com os Fora do Eixo no permite essa possibilidade.
Não estou dizendo aqui que é a coisa mais fácil do mundo, que São Paulo é logo ali. ? preciso certa credibilidade, profissionalismo e contatos. ? preciso se prontificar a ir, custe o que custar, porque é preciso se divulgar. ? preciso dormir em condições não tão confortáveis, pra poder alcançar o maior número de cidades possível. ? preciso saber que uma turnê, Brasil à dentro, não é a coisa mais glam, não é a coisa mais rockstar, e não é pra qualquer um. ? pra quem gosta muito da música que está tocando e acredita de verdade que aquele produto pode agradar paulistas, mineiros e quem mais estiver na platéia. Porque daí você encara o risco.
Até o fim do ano irão parar em outras terras, além da Burro Morto, que está com mais uma turnê marcada para começar no dia 20 de Maio, a banda Nublado. A Cerva Grátis fará onze datas no Nordeste em Julho. Os Reis da Cocada Preta seguindo o embalo da Feira da Musica de Fortaleza, pretendem rodar o Nordeste em Agosto. A Dalva suada lança seu EP em Campina Grande, Recife e Natal, além de João Pessoa, agora, no começo de Maio. Valendo-se da preparação nordeste adentro, das experiências e das viagens, chegar a fazer uma turnê no sul do país é uma questão de visão. ? um investimento no público que poderá ser cativado.
E veja bem, ja temos duas boas bandas abrindo as portas pra sons vindos da Paraíba. Não se enganem, a receptividade é maravilhosa e nossa peculiaridade cativa. Somos a nova geração indo “danado pra catende”.
A banda Burro Morto está desbravando, junto com a Cabruêra, as entranhas do Estado de São Paulo e Minas Gerais numa tour que está passando pelas cidades de Campinas, São Paulo (no Festival Fora do Eixo), Araraquara, São Carlos, Bauru, Guaxupé, Franca, Uberlândia, Belo Horizonte (no Conexão Vivo), Araguari e Patos de Minas. São onze cidades e muita história pra contar. Pra quem quer saber o que está acontecendo nesta verdadeira saga, a Burro Morto está fazendo um pequeno diário de bordo pra gente.
Além do diário abaixo, da pra acompanhar outros detalhes pelo blog Tour Fora do Eixo, que registra todas as andanças das bandas do circuito.
Diário de Bordo
07.04.2010 ?? 1° Show ?? Bar do Zé, Campinas – SP
Chegamos em Guarulhos em torno das 19h. Chuva e frio. Pouco depois, uma van articulada pela Agência Fora do Eixo nos capturou e fomos apanhar os comparsas da Cabruêra, que haviam chegado algumas horas antes. De lá, fomos direto pro Bar do Zé, em Campinas.
Lugar bem legal, é frequentado pela malucada universitária (fica próximo a Unicamp). Dizem que vira um inferninho lotado de quinta à domingo; uma pena que essa era uma quarta-feira chuvosa e a audiência foi um tanto rarefeita e desavisada. Deu impressão que divulgação foi escassa. Outra coisa chata foi que chegamos contando que teríamos hospedagem e alimentação por conta da produção de Campinas, mas depois do show voltamos pra São Paulo e tivemos que custear a hospedagem daquela noite. Apesar disso, a noite fluiu, cativamos o pequeno mas instigado público, travamos contato com o pessoal do Coletivo Ajuntaê e os shows foram bons, servindo como aquecimento para o festival do dia seguinte.
08.04.2010 ?? 2° Show ?? Festival Fora do Eixo, Tapas Club, São Paulo ?? SP
Depois da gig, voltamos direto para o albergue onde nos hospedaríamos em São Paulo. O frio continuava implacável. Chegamos às cinco da matina no hostel Casa Club, na Vila Madalena. Todos exaustos. Bode monumental e generalizado.
? tarde, almoçamos num boteco na mesma calçada do hostel e depois tentamos obter um hash, no que foi a primeira tentativa de amenizar a seca iminente. Afinal, não há fumo que resista a quase 15 dias de turnê, com tantos pares de pulmões caixa-d’água juntos.
Em torno das 20h nos encaminhamos para a passagem de som no Tapas Club, na Augusta. No térreo estava rolando um trio de jazz, e o primeiro andar é onde rolaria mais uma noite do Festival. Tudo bem organizando, tivemos assistência dos camaradas do Coletivo Amerê, da Agência Fora do Eixo, e em especial de Inaiã, do Macaco Bong, que ajudou na montagem e no palco e de Chiquinho, técnico que deixou o som funcionando lindo. Antes do show, as duas bandas deram entrevista para a MTV, que estava cobrindo o evento para um especial.
Tocamos primeiro, já depois da meia noite. Dessa vez a casa estava cheia, e com o som funcionando direitinho e o público já meio chumbado, o show fluiu muito bem. Tem até vídeo:
Próxima parada, Araraquara, depois de 2 dias off.
11.04.2010 ?? 3° Show ?? Teatro de Arena, Araraquara ?? SP
Aqui começa a tour propriamente dita, indo rumo ao interior de São Paulo. A seca agora é uma realidade cruel.
Domingão, o show tava marcado para começar cedo no Teatro de Arena. O lugar é bem amplo, com capacidade para eventos grandes, com uma boa estrutura de suporte. Fizemos a passagem de som e pouco antes do show conseguimos algumas pequenas mutucas-de-cinco do prensado local. Lá pelas 19h o Caldo de Piaba começou, já com um público razoável para o tamanho do lugar. Bom demais o show dos caras, muito balanço e melodias sacanas.
Tocamos na sequência. Tivemos alguns problemas com o som no começo (os velhos p10 da guitarra), mas da segunda música pra frente já rolou legal. Som redondinho, dessa vez feito pelo figura Gustavo, da Agência, com ajuda no palco de Saulo, do Caldo de Piaba. A receptividade foi muito boa, a audiência tava animada e serviu bem como divulgação para o show de São Carlos, cidade vizinha de Araraquara, cerca de 20 minutos, onde seria a próxima parada da tour.
A Cabruêra se apresentou por último, fechando a noite, conseguindo fazer o público que ainda continuava disperso chegar perto do palco e dançar até rachar o bico.
12.04.2010 ?? Programa Independência ou Marte na Rádio UFScar, São Carlos – SP
Depois do show em Araraquara, viemos para São Carlos. Aqui fomos recebidos pelo Massa Coletiva. A estrutura e organização do pessoal aqui realmente impressiona.
A noite participamos do programa Independência ou Marte, na Rádio UFScar, com apresentação curtas das três bandas e entrevistas entre as músicas. Tocamos primeiro, apenas quatro músicas, sendo duas do ??Baptista virou máquina? e falamos sobre o disco, o Coletivo Mundo, a turnê e afins. Aproveitamos para divulgar o show do dia seguinte, no palquinho da UFScar, que promete ser roque grande.
* Programa Independência ou Marte | com Burro Morto, Cabruêra e Caldo de Piaba.
Transmissão Independente – Burro Morto + Cabruera + Caldo de Piaba
As bandas de João Pessoa (PB), Campina Grande (PB) e Rio Branco (AC) fazem versões Ao Vivo nos estúdios, falam sobre seus projetos e sobre a Tour Fora do Eixo SP/MG:
Burro Morto – Cabaret (Ao Vivo)
Burro Morto – Batista, o Maquinista (Ao Vivo)
Burro Morto – Navalha Cega (Ao Vivo)
Burro Morto – Kalakuta (Ao Vivo)
Cabruêra – Pisa Morena (Ao Vivo)
Cabruêra – Visagem (Ao Vivo)
Caldo de Piaba – People One (Ao Vivo)
Caldo de Piaba – Daimagem (Ao Vivo)