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Posts Tagged ‘centro histórico’

Festa da Música acontece hoje no Varadouro

segunda-feira, junho 21st, 2010

A Fête de la Musique foi criada há mais vinte anos na França, e ocorre na data de 21 de junho, em comemoração ao solsticio verão no Hemisfério Norte. Neste dia, o país é invadido por músicos de todos os sons e instrumentos, tanto em salas apropriadas como em lugares improvisados (galpões que viram teatros, barcos que viram salas de concerto, escolas que viram palcos para apresentações e improvisações, bandas e orquestras que saem às ruas etc.), mas sobretudo nas esquinas das ruas e nos parques e praças das cidades. Hoje a Festa da Música consolidou-se e faz parte do calendário cultural da França… e do mundo! Diante do sucesso, sua fórmula foi exportada para os quatro cantos do mundo (participação de 110 paises) que fazem, cada um a seu modo, uma celebração nos moldes da Festa da Música francesa.

Em João Pessoa, a festa ocorre pela primeira vez, sob a produção coletiva do Movimento Cultural Varadouro e com apoio da Aliança Francesa, no Centro Histórico da capital, a partir das 17h, com apresentações espalhadas pelo Largo de São Pedro, Praça Antenor Navarro, Espaço Mundo e Casa de Cultura Cia da Terra.

Confira a programação:
http://coletivomundo.com.br/imagens/flyers/100621-festadamusica.jpg

Festival Grito Rock fez o Centro Histórico de João Pessoa tremer

quarta-feira, março 3rd, 2010

Por Juliana Bandeira, da redação do JORNALONORTE.COM.BR

*

Quatro dias de muito rock??n roll. Quem foi ao Centro Histórico de João Pessoa neste último final de semana pôde conferir o melhor da cena undergrond da cidade no maior festival integrado do mundo. O Grito Rock acontece simultaneamente em mais em cerca de 80 cidades do Brasil, além de 4 cidades na Argentina, Bolívia e no Uruguai: Buenos Aires, Córdoba, Montevidéo e Santa Cruz de La Sierra. A capital paraibana não podia ficar de fora e organizou um evento com 20 bandas; duas delas de outros estados.

De acordo com a assessoria de imprensa do evento aproximadamente 1.500 pessoas estiveram no Centro Histórico, em cada noite da programação, um público bastante significante para a cena local.

Nos dois primeiros dias de festival, iniciado na última quarta-feira, dia 24, o público do Grito Rock pode conferir uma mostra de vídeos com documentários sobre a produção de outros importantes festivais no Nordeste. Com a idéia da divulgação do rock e do resgate da cultura underground na cidade de João Pessoa como principais motivações, o festival ainda realizou um debate com a presença de produtores e artista, aberto ao público em geral. A participação da secretária do Meio-Ambiente, Rossana Honorato, foi um dos destaques do debate já que proporcionou a discussão da realização de shows na Praça Antenor Navarro e em bares do Centro Histórico sem que signifique uma infração na lei, principalmente com relação à poluição sonora.

Desta discussão, surgiu a garantia da realização de um fórum público, no final de março, para debater a questão do zoneamento, que está diretamente relacionada à liberdade da produção cultural no Varadouro.

Ainda na quinta-feira, dia 25, bandas da programação do Grito Rock, como a paraibaníssima Cabruêra, se apresentaram no Ponto Cem Réis fazendo um esquenta do que estaria por vir.

Sexta-feira à noite a ??brincadeira? começou pra valer no Centro Histórico. Dez bandas se revezaram em shows que faziam os palcos montados na Praça Antenor Navarro e no Espaço Mundo tremerem. Entre as atrações a banda cearense ??A trigger to Forget.

Nesta mesma noite, bandas que estavam na programação do Grito Rock se apresentaram em algumas praças de Jampa, dentro do Projeto Circuito das Praças, em uma parceria com a Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). Isso permitiu com que o festival pudesse levar o rock a outros públicos e em diversos bairros da cidade.

No sábado, dia 27, outras dez bandas ??botaram pra descer? no Centro Histórico. E se você está pensando que a ??pancada do som? ficou por conta da ??macharada? se enganou. As meninas do Noskill e da banda Bárbara se garantiram geral.

Mesmo sendo a primeira participação em um festival como o Grito Rock o quarteto da Bárbara tocou com propriedade e mostrou que ainda vem muito por aí. Depois de três anos juntas, já se preparam para lançar seu primeiro EP.

??Tudo de ficar pronto em abril. Até lá divulgamos nosso som através de eventos como esse, fazendo shows, e principalmente pela internet?, informou a baixista Mynne da Rosa.

O convite para participar do festival foi muito bem recebido pelas meninas.  Elas encaram a oportunidade como sendo um passo a mais na divulgação do som e da banda, além de poderem trocar e aprender com as outras bandas. ??Já tocamos fora da Paraíba, mas nunca em um festival como esse, onde o público é bem maior com gente realmente disposta a curtir e a conhecer nosso som. Além disso, conhecemos outras bandas e podemos interagir; fazer contato. Com certeza a interação é uma das vantagens em participar de um evento assim?, revelou a vocalista Carol Jordão.

Para quem ainda não ouviu o som da Bárbara e não está a fim de esperar até o lançamento do EP, basta acessar o MySpace das meninas. Com letras sérias ou irônicas, numa pegada ora mais leve ora mais pesada, o público pode esperar, segundo Mynne, um ??rock da alma?.

Se para a Bárbara a interação foi um dos pontos positivos do Grito Rock, para o trio paranaense da Nevilton, a oportunidade de tocar a primeira vez em João Pessoa já faz do festival um marco.

??Já tocamos no circuito paulista, em Cuiabá, em Maringá, mas ainda não tínhamos divulgado nosso som no nordeste. Essa é uma oportunidade e tanto, até porque encontramos um evento bem estruturado que nos dá a chance de atingir um público bem maior?, explicou o vocalista Nevilton.

Para os paranaenses o rock sempre foi um ritmo marginalizado e os festivais são grandes responsáveis no resgate da cena e na ascensão das bandas. Questionado sobre a história de bandas do cenário underground, que acabaram ascendendo, e estourando nas rádios de todo Brasil, como CPM 22 e, mais recentemente, Fresno, o baixista Lobão é enfático.

??Quem critica os caras, chamando de vendidos e tal, não sabem o que os caras tiveram que ralar para chegar lá. Desde que você não comprometa sua obra, há a necessidade de vender e a banda tem que encontrar esse equilíbrio. Não critico e nem julgo os caras?.

Sobre o próprio som, o trio paranaense não sabe bem como defini-lo. ??? rock??n roll, as vezes estranho, mas é rock??n roll?, disse Chapola, o bateirista. Ficou curioso pra conhecer? Acessa o MySpace dos caras e tire suas conclusões. Ou então espere até o próximo festival.

Para saber mais sobre o cenário undergronund em João Pessoa basta acessar o site do Coletivo Mundo.

O Centro Histórico tomba sob o silêncio

segunda-feira, fevereiro 8th, 2010
(Coluna de Marcus Alves no Portal WSCOM)
Tenho recebido um conjunto grande de e-mail mostrando duas situações delicadas em torno do Centro Histórico de João Pessoa. A primeira onda de mensagens indica um problema ligado sobrevivência das culturas alternativas juvenis que instalaram seus ambientes naquele território. A segunda está mais afeita ao problema do trajeto do Folia de Rua, que foi reordenado e deslocado daquele lugar.
As pessoas me falam dos dois problemas de maneira isolada, mas penso que existe uma linha que une as duas questões. Essa linha repousa numa certeza atestada por muitas outras cidades antigas que têm o seu Centro Histórico como lugar privilegiado para certa categoria de cultura. ? assim em Recife e Olinda, é assim em Salvador, é assim em Ouro Preto. Mas me parece que em João Pessoa essa linha está sendo alterada, sobretudo, pelo governo municipal que parece ter retirado sua energia do Centro Histórico.
Os jovens, principalmente aqueles ligados às culturas alternativas e de perfil universitário, têm sido talvez os principais responsáveis pela manutenção de alguma vida em nosso Centro Histórico. Vez por outras seus lugares como Espaço Mundo e Candeeiro Encantado são alvo de fiscalizações sonoras promovidas pela Secretaria do Meio Ambiente a propósito de controlar o ruído. A última dessas visitas me parece deixou estragos para essa juventude.
Penso que é preciso sim controlar os ruídos, mas é preciso diferenciar essa ação de uma certa intolerância para com algumas culturas e alguns grupos sociais. Outro detalhe importante que ninguém falou: o Centro Histórico, salvo se estiver muito enganado, tem uma baixa densidade populacional ?? principalmente à noite. Então me pergunto: por que tanta vigilância sonora? Não seria ali um espaço ideal para as festas juvenis?
A comunidade do Porto do Capim, me parece, fica bem abaixo daquele território. Então será que aquelas ruas escuras e postes sonolentos se incomodam tanto assim com o rock and roll do Espaço Mundo? Outra coisa importante que não podemos deixar de refletir: a nossa juventude precisa de lugares para expressar sua culturas, sua fúria, sua ira urbanas. E olha que acho esses jovens bem comportados e verdadeiros empreendedores na linha do Sebrae… Não tenho visto por ali jovens inconseqüentes na linhagem James Dean ou dos personagens da literatura de Anthony Burgess. Não vejo espaço melhor para essa cultura urbana juvenil que o Centro Histórico, tradicionalmente território da boemia e do rock and roll, em suas diferentes variantes estilísticas.
O Folia
O Centro Histórico de João Pessoa, que ainda sequer foi revitalizado, precisa dessa contribuição juvenil e de outras manifestações culturais para poder ganhar força além das pinturas e fotografias oficiais. Mas temos observado uma tendência para o seu esvaziamento. E isso pode ser comprovado pelas últimas noticias sobre o trajeto do Folia de Rua.
A melancolia que toma conta de algumas lideranças criadoras e estimuladoras dessa linha de carnaval se justifica pelo fato de que o esvaziamento parte da própria Prefeitura Municipal ao colocar como área central do Folia o Ponto de Cem Reis e não a Praça Antenor Navarro.
? uma contradição grande porque tenho certeza que os próprios discursos que legitimaram o tombamento da maior parte do Varadouro e Cidade Alta levaram em consideração o fato de ali termos essa tradição de carnaval. A festa dá vida ao tombamento. E as 502 edificações cobertas por esse tombamento ganham muito mais vida e valor se forem acompanhadas de festas e celebrações. ? de gente que se faz um Centro Histórico e não apenas de papéis amarelados dos protocolos oficiais.
Quando uma Prefeitura esvazia um trajeto de carnaval para valorizar um território em detrimento do outro mostra uma considerável miopia e tira a possibilidade de centenas de moradores e turistas descobrirem as belezas de nossa arquitetura antiga. Muita gente tem histórias para contar a partir das ruas e ladeiras de Olinda. As curvas barrocas de Ouro Preto já revelaram e esconderam muitas estórias humanas.
E o território da Praça Antenor Navarro como vai ficar neste carnaval? Vai ficar às escuras? Talvez se Secretaria do Meio Ambiente permitir os jovens façam algum concerto de rock…
O Ponto de Cem Reis, recentemente reformado (para alguns, até mesmo deformado) deveria ser visto como mais um lugar de vida no Centro Histórico. Mas, aí reside a miopia dos gestores, parece que é na linha: ou isso ou aquilo. Ou Praça ou Ponto. O melhor não seria o Ponto ter exatamente o sentido de sua existência: uma parada, uma referência na passagem de um cortejo festivo.
O São João vai mudar?
A continuar linha de raciocínio que alterou a rota do Folia de Rua, podemos imaginar que o São João também será alterado? Será então que o Ponto de Cem Reis é o melhor espaço para abrigar o projeto de São João? Outra coisa que precisamos refletir: o carnaval contemporâneo tem sido marcado pelas longas marchas de foliões descendo ruas e ladeiras das cidades urbanas. ? como se as massas de foliões fossem um substituto das antigas marchas dos trabalhadores em estado de protesto ou de greve. As massas já não protestam mais. Dançam e foliam. Tem sido assim há algum tempo. Mas em João Pessoa, me parece, a tendência é carnaval parado.
A marcha que os blocos podem fazer fica reduzida ao show no palco principal. Carnaval paradão. Pode ser isso que estamos inventando. O Centro Histórico, leia-se região da Praça Antenor Navarro, merece tanta atenção e zelo da festa como o Ponto de Cem Reis. A sabedoria está na integração dos sistemas urbanos, não na polarização das falsas urbanidades. A continuar do jeito atual, a velha Praça será abandonada até mesmo pelos jovens alternativos que mantém algum ruído criativo naquele lugar. Mas talvez a intenção seja essa: deixar o espaço tombado tombar pelo silêncio e pela ausência de gente.

por Marcus Alves - maalves@terra.com.br

Antônio Marcus Alves de Souza é jornalista, Mestre em Comunicação Social e Doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília. Autor de Cultura rock e arte de massa (ed. Diadorim) e Cultura no Mercosul: uma política do discurso (ed. Plano/FAP). Publicou recentemente o livro de poemas O Eterno e o Provisório, pela editora da UFPB.

SEMAN proíbe shows no Centro Histórico

segunda-feira, janeiro 18th, 2010

Para quem produz shows em João Pessoa (PB), há sempre a preocupação com a presença de um verdadeiro vilão, a Secretaria de Meio Ambiente ou como é comumente conhecida: a SEMAM. Isso independente do bairro ou área de realização do evento, pois a cidade não possui um zoneamento que contemple a produção cultural e o lazer, bastando apenas uma ligação anônima para que os fiscais da secretaria façam uma visita até o evento e obriguem ditatorialmente que o mesmo seja encerrado imediatamente.

E foi exatamente isso que ocorreu na última quinta-feira, dia 14/01/2010, no Espaço Mundo, bairro do Varadouro, Centro Histórico da capital paraibana. Na ocasião estavam acontecendo apresentações das bandas Gauche e Flying Back, quando os fiscais identificados pelos nomes de Campos e Antônio Alves entraram no recinto gesticulando para a banda e dirijindo-se para o palco.

Um dos responsáveis pelo Espaço Mundo, o produtor cultural e músico Rayan Lins os abordou educadamente, se identificando e pedindo para conversar com os fiscais fora do recinto. O pedido foi recebido com resistência pelos fiscais, que gritavam para parar o show imediatamente.

Já fora do recinto, um dos fiscais mostrava-se extremamente irritado, gritando e se negando a explicar a situação e fazer a aferição do som, além de ameaçar chamar a polícia caso o show não fosse encerrado imediatamente. Após muita insistência de que fosse identificado o ponto de denúncia e que a aferição fosse feita de lá, o máximo conseguido foi uma rápida olhadela do outro fiscal no decibelímetro apontado para uma das portas do Espaço Mundo e a ordem: o show tem que acabar agora!

Decepcionado com a tentativa de entender a situação através dos fiscais da SEMAM e preocupado com a possível represália da polícia militar, o responsável pelo espaço não teve outra opção a não ser pedir para a banda para de tocar e acabar com o show. Imediatamente parte do público foi ao encontro dos fiscais, exigindo explicações, que mais uma vez foram negadas pelos mesmos, que ainda demonstraram desdenho e preconceito: ??Isso tá errado, não pode! Ainda mais esse tipo de som!?.

Para agravar ainda mais, no dia 16/01/2010, sábado, fiscais da SEMAM notificaram não só o Espaço Mundo, como também o Galpão 17 (ex-Candeeiro Encantado), proibindo-os de realizar shows, sob a ameaça de multa caso os espaços voltem a realizar eventos.

O Espaço

Funcionando desde abril de 2009 e filiado das Casas Associadas ?? Associação Brasileiras das Casas de Shows Independentes ?? o Espaço Mundo tem capacidade para 200 pessoas e é uma espécie de centro cultural, agregando em sua programação shows, exposições de artes, oficinas e debates, além de funcionar como bar e restaurante, sem nunca ter sido alvo deste tipo de ação repressora.

A gerência do local é do Coletivo Mundo, coletivo de produção cultural formado por artistas, produtores, jornalistas, designers, fotógrafos e outros agentes da cadeia produtiva que trabalham com base na Econômia Solidária para fomentar a produção, divulgação e consumo da cultura independente, em especial da música paraibana.

Mais uma vez

O Coletivo Mundo já passou por problemas com a secretaria, quando a SEMAM tentou impedir a realização do Festival Mundo 2009 na Usina Cultural Energisa. Neste fato, a única informação passada pela secretaria para a coordenação do festival foi de um horário máximo de 1h da manhã para realização dos shows. O festival foi totalmente adaptado e durante um mês tentou-se conseguir um parecer da SEMAM sobre o evento, parecer este que só veio faltando uma semana para o festival, impedindo a realização do evento. Só depois de muita articulação política, visitas a diversos gabinetes da prefeitura e principalmente com o importante apoio do vereador Bira, é que a coordenação do festival conseguiu a liberação para realizar o evento.

??Não é a primeira vez que este órgão público traz problemas para a realização de eventos e o desenvolvimento da cultura em nossa cidade. João Pessoa necessita de um novo zoneamento urgentemente, para o bem do desenvolvimento artístico e turístico da cidade! E precisa definitivamente reconhecer o Centro Histórico como uma área livre para a cultura? diz Rayan Lins.