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A Reconfiguração Eminente

quarta-feira, abril 21st, 2010

Tours constantes, produtores e novos modelos podem reconfigurar a música brasileira em pouco tempo.
Por Anderson Foca | DoSol, Natal
No Portal DoSol

A cena é comum fora do Brasil. Banda organiza o trabalho artístico por uns seis meses, nesse mesmo período grava e começa a agendar tour para mostrar o trabalho ao vivo para o máximo de pessoas e lugares que conseguir. Vai gerando clipping, aumentando seguidores em sua rede social, disponibilizando mais conteúdo e continuando a tocar.

A primeira ida nas cidades é quase sempre para não mais que 50 pessoas em dias de semana e locais sem muita estrutura. As idas se repetem e o interesse do público vai aumentando. A mídia começa a prestar atenção, a banda começa a ser chamada para festivais de médio porte e quando menos se espera aparece por aí mais um Artic Monkeys, que toma a cena de assalto e a maioria das pessoas ??comuns? não sabem explicar de onde os caras vieram e com fizeram um sucesso tão estrondoso e tão ??rápido?.

Sempre foi um problema para a cena independente brasileira a falta de uma estrutura de pequeno e médio e porte que suporte esse tipo de trabalho por aqui. Parece que essa lógica ??on the road? finalmente começa a acontecer com mais constância graças ao trabalho de gente abnegada e interessada em criar juntos um espaço sólido para os novos rumos da música nacional. São bandas, coletivos, produtores, pontos de cultura, festivais, pequenos pubs, blogs, fotógrafos, jornalistas, entre outros agentes integrados por um bem comum que é de fazer circular e dar possibilidades para o novo.

O fenômeno não é novo, mas agora parece ser um caminho sem volta, ainda bem. Usando como dados as ações do Fora do Eixo, hoje a principal plataforma dessa nova lógica de circulação, os números impressionam. Em apenas três meses desse começo de ano e sem contar as ações de festiviais como o Grito Rock, também organizado pelo circuito, mais de 80 shows foram realizados no Brasil com esse viés de tour, de tocar todo dia, de explorar lugares pouco visitados, interiorizando rotas e abrindo novas frentes de trabalho e produção. Bandas como Caldo de Piaba (AC), Camarones Orquestra Guitarrística (RN), Calistoga (RN), Burro Morto (PB), Cabruêra (PB), Minibox Lunar (AP), Nevilton (PR), Porcas Borboletas (MG), Macaco Bong (MT), Superguidis (RS), Black Drawing Chalks (GO), entre outras, devem chegar ao final do ano com média de 70 a 100 datas anuais, um número surreal para os padrões nacionais e para a cena independente como um todo.

Alguns podem perguntar: e essas rotas são viáveis? Dá para viver da banda ficando na estrada o tempo todo? A resposta é clara. Se o seu dia-a-dia for a banda dá sim. Claro, não há luxo, não a glamour ??estilo Van Halen?, mas há um senso de honestidade e de respeito que gera trabalho e dinheiro. Ninguém chama banda para grandes eventos se ela não tiver currículo e emitir um sinal de que está ??na pista? e quer circular. Nenhum curador de edital lembra de um grupo sem ele ter ajudado tocando e se divulgando e é dessa forma que as bandas crescem, mudam de patamar e passam e ser viáveis.

? importante perceber também que não são só as bandas que se consolidam com um dia-a-dia sólido. Hoje muito produtores e espaços pequenos estão arrumando financiamento, se estruturando e melhorando as condições de circulação. Quando as ações crescem o mercado acompanha e é essa soma de forças que vai dando solidez para a atividade de música no Brasil.
Claro. Os modelos são vários, os formatos são dinâmicos, mas muito me alegra que finalmente estejamos dentro de um circuito que integra uma centena de festivais, duas centenas de espaços e gente em todas as regiões dispostas a fazer a coisa funcionar. O futuro é agora, vamos aproveitar!

Como foi a passagem do Camarones pelo Espaço?

segunda-feira, março 22nd, 2010

Foca, produtor e músico da Camarones Orquestra Guitarristica, lançou um diário de bordo da passagem da banda por João Pessoa na ultima quinta (18). No portal DoSol da pra acompanhar o relato da passagem da banda por várias cidades, e pra quem quiser saber mais, o link está logo abaixo:

Fonte: Portal DoSol http://www.dosol.com.br/2010/03/20/como-foi-camarones-tour-joao-pessoapb/

jampa

Campina Grande (PB) / João Pessoa ?? 110km

Depois de uma boa gig e uma noite de sono honesta começamos a plenejar nosso segundo dia de viagem. Aí já vai uma boa dica para quem está em tour. Faça sempre e quando puder sua própria comida. Além de ser mais seguro, já que é bom se precaver para possíveis problemas de saúde também é muito econômico. Com R$22,00 montamos prato para sete pessoas.

Perto das 15h já estávamos na estrada e em um pouco mais de uma hora chagamos no Espaço Mundo em João Pessoa para nossa terceira passagem pela cidade. Resolvemos já deixar tudo montado pro show logo cedo, faltando apenas dois amps de guitarra para completar o set (que chegaram mais tarde com dois valvulados lindões). Fizemos uma parada para comer e resolvemos nos hospedar no centro da cidade, bem perto do local do show. A expectativa para a noitada não era muito promissora, a Pitty tava fazendo show gratuito ontem por aqui e para nós um excelente público seria por volta de 50 pessoas na noitada.

Chegamos ao Varadouro no belíssimo Centro Histórico de João Pessoa e já fomos notando que nossa meta pro rolê seria superada. Antes pausa pra gente explicar como é o Espaço Mundo. O lugar é um pub que deve caber umas 150 pessoas e que também trabalha com portas abertas usando uma praça que fica bem em frente. Local muito agradável e que tem um palco bem alto. Das duas vezes que tocamos lá preferimos sempre tocar no chão, bem perto da galera.

O fato é que o clima foi esquentando, as pessoas foram chegando e quando começamos a tocar o local estava lotado com o mesmo número de gente fora na parte frontal. Foi nossa melhor apresentação em João Pessoa disparada! Não sei quanto tinha de público já que tava bem rotativo, mas que tinha perto de 200 cabeças por lá era fácil. Uma coisa que notei é que quando você está em tour, parece que o público se envolve mais em ir ao show e é por aí mesmo. Praticamente todos os amigos de bandas chagadas que temos na Paraíba apareceram para nos prestigiar, produtores e até gente como o lendário Pedro Osmar estavam por lá. Foi lindo.

O clima ficou tão quente e rock que uma jam session se formou após o nosso show e todo o o tipo de classic rocks foram sendo interpretados com uma rotatividade de músicos animando e deixando legal o que já estava ótimo. Noite rock é bom demais?

Já estamos levantando acampamento e partindo para um trecho longo de vuagem. Serão 430km para Maceió. Nos falamos na sequência, valeu!

Trilha da Viagem ?? Peixoto e Maxado

Por Foca

WebTV Coletivo Mundo: Festival DoSol 2009 ?? Segundo Dia

sexta-feira, novembro 13th, 2009

Pronto, está no ar o segundo episódio desta viagem feita até Natal, para assistir ao melhor festival de rock da cidade!

E com isso, encerra aqui também a cobertura do Coletivo Mundo sobre o DoSol 2009. Foram twittadas ao vivo, fotos, resenhas e vídeos sobre os dois dias do eventol! Uma semana inteira dedicada com muito trabalho e muito suor, neste calor infernal que está fazendo no nordeste. Fiquem agora com o dito:

WebTV Coletivo Mundo: Festival DoSol 2009 – Segundo Dia

sexta-feira, novembro 13th, 2009

Pronto, está no ar o segundo episódio desta viagem feita até Natal, para assistir ao melhor festival de rock da cidade!

E com isso, encerra aqui também a cobertura do Coletivo Mundo sobre o DoSol 2009. Foram twittadas ao vivo, fotos, resenhas e vídeos sobre os dois dias do eventol! Uma semana inteira dedicada com muito trabalho e muito suor, neste calor infernal que está fazendo no nordeste. Fiquem agora com o dito:

Cobertura Festival DoSol – Segundo dia

quinta-feira, novembro 12th, 2009

Por Diego Second

Opa, vocês lembram que comentei que o segundo dia do DoSol 2009 seria para vestir uma camisa preta e bater cabeça? Pois é, pessoal. Não estava apenas usando uma mera frase clichezinha para terminar o texto anterior. Possas crer que a GR?A também foi massa.

Enquanto o festival continuava a manter a sua pontualidade, nós, do Coletivo Mundo, curtimos tanto a noite anterior que acordamos tarde e mais uma vez chegamos à Ribeira com o rock já rolando.

Logo ao descer da van pudemos perceber que a concentração de camisas pretas por metro quadrado era enorme. De cara, já dava para ver um bom público afim de curtir as bandas mais pesadas do dia e, em especial, a lenda do punk The Exploited (UK).

Ao entrar no festival, fui de encontro ao nosso fotógrafo oficial, Rafael Passos, que nos deu um parâmetro do que já tinha rolado. Foi sincero ao dizer que os shows dos Dr. Carnage (RN), seguido de I.T.E.P (RN) e depois do Fliperama (RN) foram bem legais, fazendo todos uma boa apresentação. Porém, ele nos destacou o show do pessoal do Nervochaos (SP). Segundo Rafael Passos, eles usam uma distorção tão violenta que uma das caixas de luz caiu no chão enquanto o pessoal batia cabeça insanamente. Sensacional, hein?

A primeira banda que pude conferir foi o Deadly Fate (RN). Bons bebedores do metal clássico, o show tinha tudo oque um bom metaleiro gosta. E como todo mundo sabe, um bom headbanger curte muitos solos de guitarra e foi esse ogrande truque para o show funcionar para quem assistia.

Mais uma vez a estória de dois palcos e rotatividade das bandas caminhava bem. Mal acabou o show do Deadly Fate e o Distro (RN) já estava mandado ver dentro do bar do DoSol. Ao olhar para o palco, notei que eles estavam com outro baterista. Como assim? Cadê Arthur? Mudaram de baterista da noite paro dia? O fato é que o Arthur estava de serviço e não conseguiu mudar o horário. A banda não teve demora, ligou para o Dado ?? da banda Kentucky (RN)- e perguntou se ele sabia tocar as músicas da Distro. O cara fez o show sem ensaio nenhum. Para quem acha que essa loucura terminou em desastre, agora jogo toda a minha sinceridade: foi o melhor show da banda que eu vi. Eles estavam muito instigados, o Rafaum estava endiabrado e o baterista tocava com uma segurança incrível. Fecharam o show com a grande canção ??Mimico? e como diz a letra: ?Vai aumentar o seu sorriso.?- e de fato aumentou o sorriso de muita gente.

Chegou a hora de mais uma banda gringa subir ao palco do DoSol, era o pessoal do Pulverhund (NO). O som dos caras, pra mim, é muito bacana. Eles fazem aquele som com boas melodias, guitarras bem amarradas e um baixo simples, porém, bem presente. Lembra coisas do Brit Pop, mais contendo mais peso. Foi uma atração que despertou a curiosidade de muitos e que aposto ter deixando alguns cantarolando os seus refrões. Sim, eles têm mais esse trunfo de melodias pegajosas. Enfim, fizeram um show bem agradável.

Depois veio o pessoal do Comando Etílico (RN), um som regado ao metal dos anos 80 cantado em português. Não vou mentir que escutar metal em nossa língua nativa é algo estranho. Mas, o que importa é que eles conseguiram botar um bom número de pessoas em frente do palco e muitos estavam a curtir o que rolava. Acabei não demorando, pois estava querendo ver a próxima atração.

Eu já tinha ouvido falar da força que tem os shows do Confronto (RJ), mas, só estando ao vivo para saber. Podem acreditar. Quem acompanhou a transmissão do Coletivo Mundo pelo Twitter pode ter notado que vez por outra soltávamos um ??Brutal?, ??Detonando? ou coisa parecida. E era bem isso mesmo. A banda foi muito competente, mandando música atrás de música e o povo não parava de polgar, rodar, bater cabeça. Teve até um lado A e um lado B?? e foi o grande momento do show. O som do metalcore da banda não deixou ninguém parado e até quem vos fala estava batendo cabeça. Foi o segundo melhor show do Festival DoSol 2009, sem dúvida.

Confronto (RJ)

Sem deixar a peteca cair, o Calistoga (RN) mostrou o porque desse ano ter sido tão legal para eles. A banda que, nos últimos meses, tocou em vários festivais, botou todo mundo que estava no DoSol pra pular e cuspir cerveja. Sim, por lá o pessoal costuma fazer isso durante os shows. Enfim, Dante & Cia estavam mais do que à vontade tocando em casa e fizeram uma apresentação beirando a perfeição. ? bacana ver como a banda evoluiu com essa nova formação e como a cada show estão melhores. Um puta show instigado, foi massa.

Voltando ao Armazém Hall, já podia ver o Canibal arrumando o seu baixo. Aliás, a altura que ele usa o baixo é totalmente subversiva às teorias de uso correto do instrumento. O baixo bate quase no joelho dele, é massa. Mas, o melhor de tudo é ver como o show do Devotos (PE) funciona. E no DoSol não foi diferente. Eles tocaram os clássicos ??Eu tenho pressa?, ??Roda Punk? e fecharam com ??Punk rock hardcore Alto José do Pinho?. ?, pessoal, Devotos é punk rock, é hardcore, é Alto José do Pinho e o show foi do caralho.

Depois fui garantir uma gelada e me bato com o Rafaum do Distro que me revela que foi ajeitar o som para o pessoal do Mugo (GO) e que o guitarrista queria usar os dois amps, valvulados, de uma vez só. Tá, beleza. Eu mesmo tenho esse costume. Porém, o som do pessoal é tão pesado e a guitarra estava tão alta que praticamente não teve P.A para ela. Juro que as paredes do DoSol tremiam. Com um vocal gutural bem marcante, a banda manda um som porrada e botou muito neguinho pra bater cabeça.

E para finalizar a edição do Festival DoSol 2009, os ingleses do The Exploited. Muita gente estava por lá só para sacar o som dessa lenda do punk, inclusive algumas vans de João Pessoa. Com um moicano vermelho e cuspida para tudo que é lado, a banda colocou todo mundo na roda de polgar e fez um show para ninguém botar defeito. A loucura do show estava tão grande que, na hora que eu estava filmando a banda, um cara deu um mosh na minha cabeça. ?, já não bastava quebrar o óculos. Mas, não achei tão ruim. O DoSol foi tão rock, tão bacana, tão organizado que qualquer perda naquela hora seria fichinha comparada à grandiosidade e ao sucesso que o evento obteve.

Que venha agora o DoSol 2010. ? GR?A!