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Entrevista – Os Reis da Cocada Preta

segunda-feira, dezembro 14th, 2009

From: Portal RockPress

Por Jesuino Oliveira

reis

Trilhando um caminho inverso, foi através do videoclipe de ??Monologo sobre a mudança? que obtiveram destaque imediato. Agora revendo o fato e analisando as circunstâncias, a banda formada por Jansen Gomes (vocal e guitarra), Felipe Ceará (baixista), Diego (bateria) e Marcílio (guitarra) apronta uma estratégia mais tradicional para expandir seu trabalho. Por sinal, todo material da banda (um EP, um disco cheio, fotos etc) já está disponível para download gratuito. Aproveitando, convocamos o líder e porta-voz do quarteto Jansen para responder algumas perguntas. Confira!

Você comentou sobre material gravado ou algo parecido…

Na verdade era a nossa pretensão ter outro material mesmo que demonstrativo para esse semestre, mas não é mais nossa prioridade. Tem outras coisas acontecendo e acredito que vamos gravar outro vídeo-clipe (pretensão também!). Mas isso já está bem mais adiantado em termos de projeto. Por enquanto estamos com aqueles dois discos que acredito que você os tenha e o clipe de ??Monólogo sobre a Mudança? que você já viu também. Estamos com idéias e um pré-roteiro (se é que posso falar assim) do clipe que será da música “Fetiche”. No mais esse é o nosso plano pra esse primeiro semestre e ai sim depois disso acredito que voltaremos a falar em CD novamente, e claro com músicas novas. Temos mais dez músicas, fora as onze que já tocamos nos nossos shows. Dessas dez, mais de cinco delas já foram mostradas ao publico pelo menos umas cinco vezes.

Fale-me de quando começou a banda.

Inicialmente a banda éramos eu e o Diego (baterista), isso em aproximadamente junho de 2006.  Fizemos alguns ensaios, decidimos o nome da banda graças a uma discussão de Diego com a mãe, onde ela disse que ele ??não era O Rei da Cocada Preta?, e aí eu comecei a apelidá-lo de o rei da cocada preta e com isso decidimos colocar esse nome. Em outubro conversamos com Marcilio e Ceará (guitarra e baixo respectivamente) e já conversamos sobre gravação de uma CD e ralar pra viver de música e tocar fora do estado. Dia 14 abril de 2007 fizemos nosso primeiro show, participamos dos dois maiores festivais da cidade no mesmo ano (Aumenta que é Rock e o Festival Mundo), tocamos em Fortaleza, Maracanaú (CE), Natal (RN), Olinda (PE), Campina Grande (PB) e em Recife (PE).

O que é a música pra você?

Música pra mim é a libertação de tudo que eu posso expressar das formas mais variadas e personificando varias pessoas e situações sem deixar de ser eu e ao mesmo tempo dizendo quem sou! ? a arte que mais tenho carinho, amor e paixão. E falando como parte de um todo, acredito que para todos Os Reis a música é o poder sonhar com algo melhor, é a diversão das nossas vidas de forma cantada e tocada. Se eles respondessem essa pergunta acredito que seu resumo seria isso.

Como você descreveria para quem não conhece o som da banda?

A descrição do que fazemos musicalmente é uma incógnita para mim. Acho que de forma bem grosseira seria voltar a dar ao rock a força dançante que ele tinha no seu inicio, para isso usamos muitas influencias dos anos 80. Misturamos: disco, ska, samba rock, brega, forró, pop rock… São tantas influencias musicais que nem eu saberia dizer o que somos. Foi por isso que decidimos nos intitular como ??alternativa?, por que podemos ser varias coisas ao mesmo tempo.

Em face das novas tecnologias e nas mudanças no mercado musical, como fazer sucesso hoje em dia?

Eu juro que eu ainda estou pensando como fazer isso. O nosso sucesso no Youtube, por exemplo, foi acidental, não esperávamos tantos acessos ao nosso clipe “Monólogo sobre a mudança”, quando vimos aquilo ficamos achando que finalmente, assim como o Pequeno Príncipe, conseguimos pegar um cometa mesmo não sabendo pra onde ele iria nos levar, mas não foi bem assim .Tivemos uma ótima visibilidade, entretanto ainda queremos ir mais longe. Foi surpreendente, mas totalmente inesperado. Estamos querendo desenvolver outro clipe, acho que essa é uma das melhores formas ainda de se divulgar uma banda pelas possibilidades que a TV proporciona, o que não quer dizer que o lançamento desse vídeo se dará apenas pela TV. Não esqueceríamos jamais do que a Internet fez por nós. Foi por causa dela que nosso clipe ficou tão visto e acho que conseguimos muito com isso, pois não conheço nenhuma banda daqui de rock que tenha um material de vídeo tão visto quanto o nosso. Sou orgulhoso por isso e fico ainda mais feliz em saber que incentivamos outras bandas a criarem seu material de vídeo também. Outra forma de conseguir esse dito sucesso é o envio de materiais a festivais alternativos, é uma ótima forma de circular por ai e levantar a vista das pessoas pra o que se produz na Paraíba.

Quem ou o que lhe inspirou a fazer música e montar uma banda de rock?

Antes d’Os Reis eu toquei em outras bandas de hardcore (Dead Nomads e Lamed Resh). Tinha a mente muito fechada pra música, ouvia Rolling Stones e pra mim não era rock (antes) até que conheci uma banda bem dançante chamada Bloc Party. Fiquei fascinado pelos riffs, pelo vocal e comecei a pensar em fazer uma banda nessa linha de rock dançante. Foi então que comecei a ouvir coisas com Jimmy Hendrix, Pink Floyd, Janis Joplin e bandas atuais também como The Strokes, Kings of Leon, Queens Of The Stone Age, Beatsteaks, Foo Fighters, Los Hermanos, Gram e tome música. Mas acho que basicamente foi isso: rock dançante com melodias envolventes. Com as letras a coisa já muda. Falamos de amor, mas temos a arrogância, como o nome da banda indica mesmo (risos), de tentar falar de uma forma diferenciada – ao menos tentamos, né? Enquanto Renato Russo – que me inspira demais – pergunta “Que país é esse?”, eu, em dialogo com ele, digo de forma irônica: “Esse é o meu país”(no 1º CD). Enquanto alguns passam em suas músicas filosofias sobre o amor dizendo que ele é “isso ou aquilo”, exemplo: “amar é sofrer uma boa dor”. Eu ouso em perguntar “do que é feito esse amor?” (no 2º CD).

O que você acha da atual cena rock paraibana?

Acho que somos uma cena em “fase jovem”, tipo 18 anos. Temos força de vontade, coragem, mais ainda não sabemos usar bem toda essa energia. Estamos amadurecendo a cada ano, temos bandas de estilos variados, cenário bem diferente dos anos 90 que havia muita banda de hardcore. Nosso cenário hoje é bem eclético e isso é ótimo, porque mostra a nossa diversidade, elemento da nossa regionalidade. O nordestino é por isso só uma mistura e acredito que temos expressado isso bem com as nossas bandas. Temos também dois festivais bem maduros: o Aumenta Que é Rock e o Mundo, cada um dando aos paraibanos a chance de conhecer grandes nomes do cenário independente.  Se pensarmos de forma limitada pensaríamos: “Pra que dois festivais?” Mas isso já mostra nosso potencial, nossa vontade, nossa força. Infelizmente parece que o rock paraibano tá esperando o seu “Nirvana”, aquela banda que vai fazer o nosso cenário ser mostrado para o Brasil, só que isso é bem complicado. Por isso considero de extrema importância a formação do Coletivo Mundo, que  pretende unir esforços pra mostrar não só uma banda em especial, mas todo o trabalho que a Paraíba tem desenvolvendo no que diz respeito ao rock.

Quais as perspectivas para a banda nesse ano?

Projeto a gente sempre tem de montante, né? Mas estamos querendo gravar outro clipe, gravar outro material também, ou pelo menos começar a gravar e estamos nos articulando pra começar a entrar nos circuitos de festivais pelo Brasil. As expectativas é fazer com que o nome da banda fique mais conhecido no Brasil, viabilizando os contatos e, claro, participar do máximo de festivais que pudermos. São as maiores expectativas pra esse ano eu creio.

Os Reis da Cocada Preta na web:
myspace.com/osreisdacocadapreta