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Feira da Música 2010 – parte 2

quarta-feira, agosto 25th, 2010

Desculpem a demora, mas o Congresso Regional Nordeste Fora do Eixo e a própria Feira da Música tomou todo nosso tempo e só agora, já em casa, posso escrever como foi nossa participação nos outros dias. Então vamos lá!

DIA 2

Ainda na quinta, deu pra curtir os shows do Canastra (RJ), Mini-Box Lunar (AP), Autoramas (RJ) e os conterrâneos do Cabruêra, divididos entre o Palco do Rock e o Palco Brasil Independente.

Mini-box Lunar (AP) no Palco Brasil Independente da Feira da Música 2010.

Vera e Rayan (Mundo), Gabriel (Lumo) e Nando (PopFuzz) curtindo os shows.

Stand Fora do Eixo bombando!

Pra fechar e ir dormir tranquilo para o próximo dia, o Cabruêra fez o show mais empolgante da noite, finalizando com uma mega-ciranda!

Foto de Karen Pedregal

DIA 3

Na sexta(20/nov) pela manhã, a programação foi diferente. Ao invés de mais um encontro refrigerado no auditório do Dragão do Mar, encaramos a estrada e o sol rachando a cuca para visitar o Banco Palmas, gerido pela Associação dos Moradores do Conjunto Palmeira, em Fortaleza(CE) e referência em economia solidária.  Lá, tudo pode ser adquirido com o “Palma”, moeda solidária da comunidade.

Integrantes do Nordeste Fora do Eixo e Maisa (Sebrae-PB) conhecendo o Banco Palmas.


A tarde, dedicamos nosso tempo aos painéis: “Políticas Públicas para a Música” com Talles Siqueira (Ministério da Cultura), Thiago Cury (Funarte) e KK Mamoni (Feira Música Brasil); e “Olhar para América Latina: Organizações culturais na América Latina” com Prof. George Yúdice (Costa Rica / Miami), Sylvie Duran (Costa Rica / Miami ), Pablo Capilé (ABRAFIN/Espaço Cubo), Antonio Gutierrez (RecBeat) e Diana Glusberg (Argentina).

Saímos direto pra ver o show do Facas Voadoras (MS) no Palco Rock. Conheci eles quando fui com o Nublado tocar na seletiva pro Goiânia Noise 2009, no Rio de Janeiro, que eles também estavam participando. Foi bom reencontrar os caras e o show foi animal!

Foto de Karen Pedregal


Corre pro Albergue, tomar um banho e voltar correndo pra tentar ver o Pública (RS), mas infelizmente a fome tava de matar e saímos no meio do show pra jantar com nossas Patativas (moeda oficial da Feira e da RedeCem).


Foto de Karen Pedregal

A noite acabou no próprio albergue, numa “reunião informal”, digamos assim.

DIA 4

No último dia da Feira (sábado, 21/nov) fomos até o Pavilhão de Negócios, participar do GD ??O artista enquanto ente político?, com participação de Pablo Capilé (Fora do Eixo/Espaço Cubo), Ivan Ferraro (Prodisc/RedeCem), Gilberto Monte (Governo do Estado da Bahia), Talles Lopes (Fora do Eixo-MG), Tarcianna Portela (Ministério da Cultura / Representação Nordeste) e vários outros agentes culturais do Nordeste que estavam presentes.

Após o almoço, os participantes do Congresso Regional Nordeste Fora do Eixo dividiram-se em grupos para debater, planejar e tirar encaminhamentos práticos dos eixos temáticos norteadores do CFE: sustentabilidade, circulação, distribuição, comunicação e tecnoarte.

Mais uma vez, correr pro albergue, tomar um banho e aproveitar a última noite da Feira da Música de Fortaleza 2010. Deu pra curtir os shows de Emicida (SP), Camarones Orquestra Guitarrística (RN), Facada (CE) e do Sex On The Beach (PB), que gravaram ótimos vídeos. Saca aí:

Depois era a festa de encarramento no ?rbita com show do River Raid, mas quando chegamos lá já tinha acabado! #fail A festa de encerramento então foi no albergue! A essa hora, grande parte da comitiva da Paraíba já tinha ido embora, pois o ônibus cedido pelo Sebrae/PB e a Funjope já havia partido.

DIA 5

A Feira tinah acabado, mas o Congresso não! Após o almoço, os coletivos do Nordeste se encontraram para apresentarem os resultados dos GTs e dividir as experiências de toda a semana na plenária final.

Fato que vale a pena registrar foi a aprovação unânime da Associação Cultural do Rock do Sertão da Paraiba, através da figura de Osvaldo Moésia, como ponto fora do eixo na Paraíba!

E assim acabou mais uma Feira da Música de Fortaleza e o I Congresso Nordeste Fora do Eixo, já deixando saudades entre todos que participaram. Que venha agora o Congresso Nacional Fora do Eixo!

Coletivo Mundo em matéria do Jornal Correio da Paraíba

quinta-feira, julho 1st, 2010

Matéria realizada por Renata Escarião e publicada nesta quinta-feira no Caderno 2 do jornal Correio da Paraíba sobre os coletivos culturais na Paraíba.

Oficina de Produção Cultural Independente no Espaço Mundo

domingo, junho 13th, 2010

A oficina de Produção Cultural Independente faz parte do projeto “Oficinas Culturais nos Bairros 2010″, da FUNJOPE e iniciará seus encontros a partir do dia 14 de junho.

Estão abertas as inscrições para a Oficina de Produção Cultural Independente, que será ministrada pelo produtor Gerson Abrantes, apartir do dia 14 de junho, nas dependências do Espaço Mundo (Varadouro, centro histórico de João Pessoa). A iniciativa recebe o apoio do Coletivo Mundo e faz parte da seleção de oficineiros culturais para o projeto ??Oficinas Culturais nos Bairros? da FUNJOPE (Prefeitura Municipal de João Pessoa), que promoverá 70 oficinas para bairros da capital, em diversos equipamentos da cidade, como Centros da Juventude, Centros Comunitários, Associações e Coletivos Culturais.

A oficina irá descrever e apresentar as partes que compõem o mercado cultural e o trabalho de um produtor independente e polivalente, bem como as áreas em que o profissional pode atuar, estimulando a rede de contatos e a ajuda mútua profissional entre quem trabalha na área em detrimento da simples prestação de favores entre amigos. Será focada no setor da música, predominantemente, não excluindo a participação dos outros setores da área cultural. Mostrará os conceitos mais atuais do que é discutido no âmbito cultural, levando ao debate pontos sobre a cadeia produtiva independente do mercado da música e um novo modelo mais básico e enxuto de como produzir um evento cultural. Circunda também as causas e os benefícios da profissionalização do setor cultural e da importância de produzir eventos com todos os conceitos artísticos e culturais bem fechados e amarrados (design das peças publicitárias, decoração do ambiente, estilo do evento em relação aos artistas que nele se apresentarão, etc.).

Para o oficineiro, ??mais do que uma troca de conhecimentos, a oficina que será ministrada no Espaço Mundo abrirá possibilidades de encontros entre quem já trabalha na área cultural há algum tempo (Varadouro como pólo cultural da cidade) e de discussão crítica acerca do cenário independente local. Será um âmbito de maior entendimento e diálogo entre produtores de diversos lugares da cidade acerca do mercado local e da profissionalização dessa atividade, por isso, é interessante a colaboração dos que já atuam no Varadouro e também dos produtores de outros locais, que desejem se articular com um dos maiores pólos culturais de nossa cidade?.

http://coletivomundo.com.br/imagens/flyers/100614-oficinaproducaogerson.jpg

O programa da oficina é:

1. Mercado Cultural (9h)

1.1 – Alguns dados sobre o mercado cultural brasileiro nos últimos anos;

1.2 – Mercado Independente Brasileiro de Música;

1.3 – Rede Fora do Eixo, ABRAFIN e os Coletivos Culturais;

1.4 – Panorama Local (debate)

2. O Que é Produção Cultural (6h)

2.1 – Produtor Cultural;

2.2 – Créditos ao trabalho de produtor cultural;

2.3 – Independência Interdependente;

2.4 – Papel da Produção em Música (Produção do Artista);

3. Os Exigentes do Mercado Cultural (6h)

3.1 – Exigentes externos ou fontes de financiamento da cultura: governo e

iniciativa privada;

3.2 – Exigentes internos: artistas, público, mídia, outros produtores,

profissionais da cultura (cadeia produtiva);

4. Produzindo um Evento Cultural (18h)

4.1 – Idéia, primeiros contatos e conceito do evento;

4.2 – Elaborando um projeto e um cronograma;

4.3 – Captação de Recursos / Marketing Cultural;

4.4 – Assessoria de Imprensa;

4.5 – Pré-produção;

4.5 – Produção e Dia ??D?;

4.6 – Pós-Produção;

5. Laboratório (6h)

5.1 ?? Definição de programação;

5.2 ?? Definição de equipe;

5.3 ?? Encaminhamentos;

Debates e mesas com a presença de outros produtores convidados visam levar diferentes pontos de vista e modelos de trabalho para que sejam compartilhados com os participantes.

A oficina terá uma duração de dois meses no local, com encontros as segundas e quartas, das 15h às 18h. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na hora da oficina ou com o preenchimento da ficha, que estará disponível para download no site do Coletivo Mundo.

http://www.coletivomundo.com.br/imagens/gersonabrantes.jpeg

Sobre o oficineiro: Produtor cultural independente e músico baterista, Gerson Abrantes se envolve na área da música há seis anos (Hollywood Vice, Esquina 200, Backdoorman, Cabeça de Galo). ? graduando em administração pela Universidade Federal da Paraíba e temporariamente integrou o setor financeiro do Coletivo Mundo em 2009. Hoje produz shows itinerantes de MPB, Jazz e atua na gestão de carreira de duas bandas locais.

Para inscrições e mais informações, os contatos são:
gerson.abrantes@gmail.com | (83) 8896-6021
coletivomundo@gmail.com | www.coletivomundo.com.br

Serviço:
Oficina de Produção Cultural Independente para Música (com Gerson Abrantes)
A partir de 14 de Junho, segundas e quartas, das 15h às 18h, no Espaço Mundo (Praça Antenor Navarro, Centro Histórico).
Inscrições gratuitas.

JO?O PARAHYBA E O FORA DO EIXO

segunda-feira, junho 7th, 2010

Por Rogerio Skylab

http://godardcity.blogspot.com/2010/05/joao-parahyba-e-o-fora-do-eixo.html

A internet é capaz do céu e do inferno. Como do inferno já ando cheio, quero me reportar a um site de música, o Scream & Yell, aonde, volta e meia, vou xeretar.
E lá encontrei o texto de um grande baterista, João Parahyba, que toca no Trio Mocotó. O referido texto foi capaz de alavancar mais de quatrocentos comentários. Ao final da leitura de todos eles, me dei conta que estava diante de um documento histórico. O Marcelo Costa, dono do site, terá que preservar esse documento com carinho. Porque ali está exposta toda a idiossincrasia da música independente hoje. Muitas vezes, uma mesa redonda, com palestrantes e participação do público, não é capaz de apresentar uma discussão tão densa quanto foi essa do site. Com algumas ofensas, ok, e todas elas dispensáveis. Mas intensa.
Vocês podem conferir com os próprios olhoshttp://screamyell.com.br/site/2010/04/13/carta-aos-musicos-e-artistas/mas vou eu aqui tentar me aventurar por um caminho espinhoso. Nessa cadeia da música independente, onde estão incluídos a ??tia? que faz a faxina do local em que ocorre o evento, os artistas, os jornalistas, o público, o governo, as empresas, os produtores proponentes… tem alguém que é mais importante? Parahyba, no seu texto, diz que é o artista; houve quem priorizasse o público; mas teve também quem fizesse da cadeia produtiva, do todo, a grande prioridade. Acho interessante sublinhar essas três perspectivas no debate e distingui-las bem, porque, muitas vezes, um determinado participante, ao tentar fazer a defesa de uma delas, se excedia e fazia vir à tona a outra, às vezes até de forma inconsciente.

A) O ARTISTA

??Os projetos de maior valor contemplam os produtores de shows e festivais, empresários artísticos, pontos de rede e cultura, mas não diretamente o artista?, diz João Parahyba. Por outro lado, a idéia da Rede Música Brasil e dos editais públicos tem como premissa a correção de desvios. Deixar a música na mão de grandes empresas, seria o mesmo que abandonar o artista ao mercado de massa. Só teria retorno financeiro aqueles de apelo popular. ? o que Pena Schmidt chama de ??equivo histórico?: ??? preciso ir lá dentro do governo para tentar uma alternativa de recriação, de reconstrução depois da guerra perdida com o mercado de massa, sem investimento na diferença, um equivo histórico. Não vejo alternativa sem que se mudem leis, sem que se busque recursos fora do mercado como está. Mal arrumado?.

Esse raciocínio indica o sentido de arte enquanto experiência, enquanto diferença. Fazer o artista sobreviver é, antes de mais nada, o Estado interferir no sentido de dar ao espaço da experiência em música a possibilidade de se perpetuar. Faço uma analogia com as pesquisas científicas, as bolsas de mestrado e pós-doutorado. Na música deveria se manter esse espírito: os festivais independentes deveriam contemplar também esse segmento de menor visibilidade, mas que oferece pesquisas formais que avançam o campo já conhecido da música.

Terence Machado e Marcelo Costa afirmam seu interesse na ??música boa? e, consequentemente, focam o artista. O primeiro, coordenando o programa ??Alto-Falante?, programa histórico que cobre a música independente, e o segundo, responsável por um site de música, o Scream & Yell, que permanece há anos em atividade. Segundo ambos, deveria se discutir mais música e menos política. Segundo ambos, a música de qualidade deveria estar mais presente nos festivais da ABRAFIN. E Marcelo lista os discos nacionais eleitos pela Scream & Yell como os mais importantes de 2009, segundo um colegiado. E para ele, esses artistas tocam pouco nos referidos festivais. ? curioso que o jornalista José Flávio Júnior, ao justificar a presença constante de Macaco Bong nos festivais, recorre ao mesmo raciocínio: foi eleito o disco mais importante pela Rolling Stone, cujo júri é composto pelos críticos mais renomados do país. Ou seja: definir a música boa é uma questão de autoridade? O colegiado, composto pelos mais ilustres, é quem define a música boa?

A perspectiva do ARTISTA esbarra nessa questão. Quem confere o título? Em tese, o artista é o mais importante da cadeia. Eu já fiz show pra duas pessoas na platéia. Se o público tivesse que dar a última palavra, já teria interrompido minha carreira faz tempo. Penso em pessoas como Tom Zé e Jards Macalé, cujas carreiras, em determinado momento, entraram em parafuso. Quem concede a excelência não é o público, nunca foi. Muito menos um colegiado de ilustres. Cabe ao artista paciência. Ainda mais se pensarmos que a crítica de música no Brasil é feita por amadores, o que significa paixão e achismo.

B) O P?BLICO

A cadeia não é sustentável sem o público, mas daí dizer que ?? não sei de ninguém genial e minimamente organizado que não esteja se dando bem em música em 2010?, já é extrapolar. José Flávio Júnior e Lobão são muito parecidos nesse aspecto. A diferença é que o segundo se formou dentro do mercado ?? sua alma vem impregnada de ??mainstream? e ganhou muito dinheiro com isso; já o primeiro…

Recorro ao produtor Miranda, sempre lúcido em suas ponderações: ??Exigir de sua função de artista sua sobrevivência é se comprometer com a venda, com o comércio e com a linguagem mais populares já que para ganhar mais dinheiro, mais público terá que atingir. Se temos outra fonte de renda nos desobrigamos de fazer tudo aquilo em que não acreditamos na área artística?.

Na verdade, essa relação de igualdade entre genialidade e público é a fórmula de todos os liberais: o público sabe a verdade e o mercado se auto-regulariza; pra que a intervenção do Estado? A parceria entre artistas e majors de um lado e as grandes marcas do outro, como publicado dia 23/05 no Segundo Caderno do Globo, em reportagem de Antônio Carlos Miguel, nos mostra os grandes beneficiados: Ivete Sangalo, Cláudia Leite, Roberto Carlos, Marcelo Camelo, Malu Magalhães, Céu, Marisa Monte… Não vai se investir em artista que não dá retorno, não é mesmo? Então fica tudo como dantes no Quartel de Abranches.

? interessante verificarmos o quanto se aproximam Alex Antunes e Marcelo Costa, em outras questões tão afastados, na importância que concedem ao público. Alex espera um artista independente que possa explodir tal como explodiu Raul Seixas. Já Marcelo Costa adverte que o problema dos independentes, diante da imensidão do mercado, é se apequenar e ser feliz com isso.

Nesse sentido, há um diálogo espetacular entre Marcelo Costa e o baterista do Macaco Bong, que ilustra bem a diferença entre o pragmatismo do FORA DO EIXO e o idealismo dos críticos de música (o par qualidade e quantidade é uma oposição sem solução? é uma oposição administrável? Ou não há oposição alguma – ela é apenas uma ficção?)

Marcelo Costa pergunta:
- Uma banda ruim que mete a mão na massa, vai atrás, ganha edital de passagem e faz a roda girar, mesmo sendo ruim, é mais importante que uma banda boa que não mete a mão na massa?

E Ynaiã Benthroldo responde, perguntando:

- O que é melhor: 300 artistas ótimos tocando pra 500 pessoas cada, ou 3 artistas tocando pra 5 mil cada?

Na primeira pergunta, o idealismo; na segunda pergunta, o pragmatismo de quem está inserido no real.
Quanto a tratá-la como uma falsa oposição (gênio=público), é se banhar de tanto idealismo quanto aquele que a afirma sem solução.

C) O TODO ?? O CONJUNTO DE TODOS OS ATORES

O grande lance é sair desse dualismo. Até porque, se você critica o outro lado, te chamam de chorão ou de ressentido ou de adepto à filosofia do rancor. O exercício da crítica num contexto dualista fica comprometido. Se o infeliz não tiver visibilidade então, tá fudido. Não deve nunca abrir a boca para efetuar uma crítica, por menor que seja, aos grandes vencedores da História. Ou aos que a fazem. E novamente recorrendo a Tom Zé e Jards Macalé, ninguém melhor do que eles entendem o significado dessa censura.

No entanto, a solução já foi dada: é o movimento Fora do Eixo.

Aqui, foge-se do perigoso dualismo (artista ou público). Todos são importantes. E essa passa a ser a grande novidade: o embate entre música independente e grandes gravadoras perde o sentido. O artista e o mercado deixam de ser incompatíveis: a palavra agora é cooptar.

Fabrício Nobre, num texto importante de seu blog, diz: ??enquanto as bandas, músicos, artistas, promotores de festivais, membros de coletivo, agentes políticos de cultura, produtores de disco, técnicos, formadores de opinião, não entenderem que estamos no mesmo lado, ou melhor ainda, que estes indivíduos são muitas vezes um mesmo ser humano que faz tudo isso, fudeu !!!!

Essa nova etapa substituiu o ??do it yourself? pelo ??do it together?. E junto a essa mudança de paradigma, vem o disco ARTISTA IGUAL PEDREIRO. Estranho manifesto: um disco instrumental e completa ausência de palavras. Como se estivéssemos diante de uma terra arrasada. O Macaco Bong não eliminou só as palavras: eliminou a canção, eliminou a melodia, eliminou o virtuosismo, eliminou os efeitos de computador. O power trio, com seu rock-fusion, nos sugere uma superfície plana e aberta a toda espécie de construção futura. Não cabe aqui nenhuma tentativa de individuação. Nem mesmo as variações numa mesma faixa podem ser consideradas diferenças, antes são diluídas num contexto único. Foi aos limites da música brasileira, ao ponto de colocar em dúvida a própria nacionalidade. Se no texto sobre Rômulo Fróes, eu assinalava duas estéticas na moderna música brasileira ?? a estética do longe (Rômulo Fróes) e a estética orgânica (Júpiter Maçã), ambas mantendo relações diferentes com o real ?? aqui, esse real foi abolido. ? a estética do vazio ou da ação estruturante. A única concessão é ??Vamos dar mais uma?, quando, ao final da faixa, um coro surge para entoar um canto indígena ou coisa que o valha. E nem nesse momento a voz individual é mais possível.

A fuga de toda espécie de dicotomia, tão em voga no passado, é que faz Pablo Capilé discorrer sobre curadoria e seu relativismo. Cada coletivo sabe de si. Não há uma bandeira ou um código de preceitos que as pessoas devam obedecer. Assim como existe uma curadoria no Scream & Yell, também existe outra no Rolling Stone, no Alto-Falante, no Radiola, e não tem como se voltar contra esse relativismo. Chamar de ??panelinha? tem o sentido elitista de desautorizar determinada escolha e se colocar acima.

Um outro aspecto foi a discussão levantada por Terence Machado sobre a lisura da aprovação dos projetos referentes a Lei Municipal De Incentivo a Cultura de 2009 em Belo Horizonte. . O coletivo ??Pegada?, ao qual pertence Lucas Mortimer, foi beneficiado com a verba de 160 mil reais. O que se alega, entre outros motivos, é que Lucas pertence à Sociedade Independente de Música, juntamente com Kuru Lima e mais 12 membros. Como Kuru foi o responsável pela aprovação dos projetos, se evidenciaria aí uma ligação estreita entre o empreendedor de projetos culturais e a pessoa ligada a comissão julgadora. Portanto, passível de anulação. A questão que coloca Alex Antunes é que os dois pertencerem a SIM, com mais 12 membros, não caracterizaria ??ligação estreita?.

Mas a questão foi levantada e está aí, independentemente da pronta reação de Talles Lopes, Fabrício Nobre e Alex Antunes. O processo é esse mesmo. Agora é apurar.

Nada disso, no entanto, tira o brilho da nova filosofia. ??Fora do Eixo? tem o significado do que rola a margem. Não é mais alimentar antigas dicotomias do eixo, mas uma lógica que insere, ao invés de excluir.

Um sinal de que as coisas estão mudando parte das próprias empresas. O selo OI FM, ao invés de optar por nomes consagrados, iniciou seu cast com a banda ??Sobrado 112?, absolutamente desconhecida. E pelos resultados de vendagem, tudo indica um novo espaço de mercado. 200 mil pessoas pagaram R$ 4,00 para o download do disco (os consumidores estão principalmente nos celulares), o que gerou uma receita de R$ 800 mil, que cobre a produção do disco, o trabalho de marketing e gera lucro. Os próximos discos serão do Fino Coletivo e da compositora paulistana Luiza Maita.

Se pensarmos no circuito de bares e universidades, aliados aos festivais e às empresas, a cadeia produtiva e criativa da música independente passa a ter sustentabilidade. Sem esquecermos que nas 12 emissoras da OI FM esse cast de artistas independentes já começam a ser tocados, destruindo uma antiga resistência. O próprio disco do Macaco Bong, pertencente ao Álbum Virtual da Trama, é um bom exemplo do quanto a antiga dicotomia já não tem mais razão de ser.

JOÃO PARAHYBA E O FORA DO EIXO

segunda-feira, junho 7th, 2010

Por Rogerio Skylab

http://godardcity.blogspot.com/2010/05/joao-parahyba-e-o-fora-do-eixo.html

A internet é capaz do céu e do inferno. Como do inferno já ando cheio, quero me reportar a um site de música, o Scream & Yell, aonde, volta e meia, vou xeretar.
E lá encontrei o texto de um grande baterista, João Parahyba, que toca no Trio Mocotó. O referido texto foi capaz de alavancar mais de quatrocentos comentários. Ao final da leitura de todos eles, me dei conta que estava diante de um documento histórico. O Marcelo Costa, dono do site, terá que preservar esse documento com carinho. Porque ali está exposta toda a idiossincrasia da música independente hoje. Muitas vezes, uma mesa redonda, com palestrantes e participação do público, não é capaz de apresentar uma discussão tão densa quanto foi essa do site. Com algumas ofensas, ok, e todas elas dispensáveis. Mas intensa.
Vocês podem conferir com os próprios olhoshttp://screamyell.com.br/site/2010/04/13/carta-aos-musicos-e-artistas/mas vou eu aqui tentar me aventurar por um caminho espinhoso. Nessa cadeia da música independente, onde estão incluídos a “tia” que faz a faxina do local em que ocorre o evento, os artistas, os jornalistas, o público, o governo, as empresas, os produtores proponentes… tem alguém que é mais importante? Parahyba, no seu texto, diz que é o artista; houve quem priorizasse o público; mas teve também quem fizesse da cadeia produtiva, do todo, a grande prioridade. Acho interessante sublinhar essas três perspectivas no debate e distingui-las bem, porque, muitas vezes, um determinado participante, ao tentar fazer a defesa de uma delas, se excedia e fazia vir à tona a outra, às vezes até de forma inconsciente.

A) O ARTISTA

“Os projetos de maior valor contemplam os produtores de shows e festivais, empresários artísticos, pontos de rede e cultura, mas não diretamente o artista”, diz João Parahyba. Por outro lado, a idéia da Rede Música Brasil e dos editais públicos tem como premissa a correção de desvios. Deixar a música na mão de grandes empresas, seria o mesmo que abandonar o artista ao mercado de massa. Só teria retorno financeiro aqueles de apelo popular. É o que Pena Schmidt chama de “equivo histórico”: “É preciso ir lá dentro do governo para tentar uma alternativa de recriação, de reconstrução depois da guerra perdida com o mercado de massa, sem investimento na diferença, um equivo histórico. Não vejo alternativa sem que se mudem leis, sem que se busque recursos fora do mercado como está. Mal arrumado”.

Esse raciocínio indica o sentido de arte enquanto experiência, enquanto diferença. Fazer o artista sobreviver é, antes de mais nada, o Estado interferir no sentido de dar ao espaço da experiência em música a possibilidade de se perpetuar. Faço uma analogia com as pesquisas científicas, as bolsas de mestrado e pós-doutorado. Na música deveria se manter esse espírito: os festivais independentes deveriam contemplar também esse segmento de menor visibilidade, mas que oferece pesquisas formais que avançam o campo já conhecido da música.

Terence Machado e Marcelo Costa afirmam seu interesse na “música boa” e, consequentemente, focam o artista. O primeiro, coordenando o programa “Alto-Falante”, programa histórico que cobre a música independente, e o segundo, responsável por um site de música, o Scream & Yell, que permanece há anos em atividade. Segundo ambos, deveria se discutir mais música e menos política. Segundo ambos, a música de qualidade deveria estar mais presente nos festivais da ABRAFIN. E Marcelo lista os discos nacionais eleitos pela Scream & Yell como os mais importantes de 2009, segundo um colegiado. E para ele, esses artistas tocam pouco nos referidos festivais. É curioso que o jornalista José Flávio Júnior, ao justificar a presença constante de Macaco Bong nos festivais, recorre ao mesmo raciocínio: foi eleito o disco mais importante pela Rolling Stone, cujo júri é composto pelos críticos mais renomados do país. Ou seja: definir a música boa é uma questão de autoridade? O colegiado, composto pelos mais ilustres, é quem define a música boa?

A perspectiva do ARTISTA esbarra nessa questão. Quem confere o título? Em tese, o artista é o mais importante da cadeia. Eu já fiz show pra duas pessoas na platéia. Se o público tivesse que dar a última palavra, já teria interrompido minha carreira faz tempo. Penso em pessoas como Tom Zé e Jards Macalé, cujas carreiras, em determinado momento, entraram em parafuso. Quem concede a excelência não é o público, nunca foi. Muito menos um colegiado de ilustres. Cabe ao artista paciência. Ainda mais se pensarmos que a crítica de música no Brasil é feita por amadores, o que significa paixão e achismo.

B) O PÚBLICO

A cadeia não é sustentável sem o público, mas daí dizer que “ não sei de ninguém genial e minimamente organizado que não esteja se dando bem em música em 2010”, já é extrapolar. José Flávio Júnior e Lobão são muito parecidos nesse aspecto. A diferença é que o segundo se formou dentro do mercado – sua alma vem impregnada de “mainstream” e ganhou muito dinheiro com isso; já o primeiro…

Recorro ao produtor Miranda, sempre lúcido em suas ponderações: “Exigir de sua função de artista sua sobrevivência é se comprometer com a venda, com o comércio e com a linguagem mais populares já que para ganhar mais dinheiro, mais público terá que atingir. Se temos outra fonte de renda nos desobrigamos de fazer tudo aquilo em que não acreditamos na área artística”.

Na verdade, essa relação de igualdade entre genialidade e público é a fórmula de todos os liberais: o público sabe a verdade e o mercado se auto-regulariza; pra que a intervenção do Estado? A parceria entre artistas e majors de um lado e as grandes marcas do outro, como publicado dia 23/05 no Segundo Caderno do Globo, em reportagem de Antônio Carlos Miguel, nos mostra os grandes beneficiados: Ivete Sangalo, Cláudia Leite, Roberto Carlos, Marcelo Camelo, Malu Magalhães, Céu, Marisa Monte… Não vai se investir em artista que não dá retorno, não é mesmo? Então fica tudo como dantes no Quartel de Abranches.

É interessante verificarmos o quanto se aproximam Alex Antunes e Marcelo Costa, em outras questões tão afastados, na importância que concedem ao público. Alex espera um artista independente que possa explodir tal como explodiu Raul Seixas. Já Marcelo Costa adverte que o problema dos independentes, diante da imensidão do mercado, é se apequenar e ser feliz com isso.

Nesse sentido, há um diálogo espetacular entre Marcelo Costa e o baterista do Macaco Bong, que ilustra bem a diferença entre o pragmatismo do FORA DO EIXO e o idealismo dos críticos de música (o par qualidade e quantidade é uma oposição sem solução? é uma oposição administrável? Ou não há oposição alguma – ela é apenas uma ficção?)

Marcelo Costa pergunta:
- Uma banda ruim que mete a mão na massa, vai atrás, ganha edital de passagem e faz a roda girar, mesmo sendo ruim, é mais importante que uma banda boa que não mete a mão na massa?

E Ynaiã Benthroldo responde, perguntando:

- O que é melhor: 300 artistas ótimos tocando pra 500 pessoas cada, ou 3 artistas tocando pra 5 mil cada?

Na primeira pergunta, o idealismo; na segunda pergunta, o pragmatismo de quem está inserido no real.
Quanto a tratá-la como uma falsa oposição (gênio=público), é se banhar de tanto idealismo quanto aquele que a afirma sem solução.

C) O TODO – O CONJUNTO DE TODOS OS ATORES

O grande lance é sair desse dualismo. Até porque, se você critica o outro lado, te chamam de chorão ou de ressentido ou de adepto à filosofia do rancor. O exercício da crítica num contexto dualista fica comprometido. Se o infeliz não tiver visibilidade então, tá fudido. Não deve nunca abrir a boca para efetuar uma crítica, por menor que seja, aos grandes vencedores da História. Ou aos que a fazem. E novamente recorrendo a Tom Zé e Jards Macalé, ninguém melhor do que eles entendem o significado dessa censura.

No entanto, a solução já foi dada: é o movimento Fora do Eixo.

Aqui, foge-se do perigoso dualismo (artista ou público). Todos são importantes. E essa passa a ser a grande novidade: o embate entre música independente e grandes gravadoras perde o sentido. O artista e o mercado deixam de ser incompatíveis: a palavra agora é cooptar.

Fabrício Nobre, num texto importante de seu blog, diz: “enquanto as bandas, músicos, artistas, promotores de festivais, membros de coletivo, agentes políticos de cultura, produtores de disco, técnicos, formadores de opinião, não entenderem que estamos no mesmo lado, ou melhor ainda, que estes indivíduos são muitas vezes um mesmo ser humano que faz tudo isso, fudeu !!!!

Essa nova etapa substituiu o “do it yourself” pelo “do it together”. E junto a essa mudança de paradigma, vem o disco ARTISTA IGUAL PEDREIRO. Estranho manifesto: um disco instrumental e completa ausência de palavras. Como se estivéssemos diante de uma terra arrasada. O Macaco Bong não eliminou só as palavras: eliminou a canção, eliminou a melodia, eliminou o virtuosismo, eliminou os efeitos de computador. O power trio, com seu rock-fusion, nos sugere uma superfície plana e aberta a toda espécie de construção futura. Não cabe aqui nenhuma tentativa de individuação. Nem mesmo as variações numa mesma faixa podem ser consideradas diferenças, antes são diluídas num contexto único. Foi aos limites da música brasileira, ao ponto de colocar em dúvida a própria nacionalidade. Se no texto sobre Rômulo Fróes, eu assinalava duas estéticas na moderna música brasileira – a estética do longe (Rômulo Fróes) e a estética orgânica (Júpiter Maçã), ambas mantendo relações diferentes com o real – aqui, esse real foi abolido. É a estética do vazio ou da ação estruturante. A única concessão é “Vamos dar mais uma”, quando, ao final da faixa, um coro surge para entoar um canto indígena ou coisa que o valha. E nem nesse momento a voz individual é mais possível.

A fuga de toda espécie de dicotomia, tão em voga no passado, é que faz Pablo Capilé discorrer sobre curadoria e seu relativismo. Cada coletivo sabe de si. Não há uma bandeira ou um código de preceitos que as pessoas devam obedecer. Assim como existe uma curadoria no Scream & Yell, também existe outra no Rolling Stone, no Alto-Falante, no Radiola, e não tem como se voltar contra esse relativismo. Chamar de “panelinha” tem o sentido elitista de desautorizar determinada escolha e se colocar acima.

Um outro aspecto foi a discussão levantada por Terence Machado sobre a lisura da aprovação dos projetos referentes a Lei Municipal De Incentivo a Cultura de 2009 em Belo Horizonte. . O coletivo “Pegada”, ao qual pertence Lucas Mortimer, foi beneficiado com a verba de 160 mil reais. O que se alega, entre outros motivos, é que Lucas pertence à Sociedade Independente de Música, juntamente com Kuru Lima e mais 12 membros. Como Kuru foi o responsável pela aprovação dos projetos, se evidenciaria aí uma ligação estreita entre o empreendedor de projetos culturais e a pessoa ligada a comissão julgadora. Portanto, passível de anulação. A questão que coloca Alex Antunes é que os dois pertencerem a SIM, com mais 12 membros, não caracterizaria “ligação estreita”.

Mas a questão foi levantada e está aí, independentemente da pronta reação de Talles Lopes, Fabrício Nobre e Alex Antunes. O processo é esse mesmo. Agora é apurar.

Nada disso, no entanto, tira o brilho da nova filosofia. “Fora do Eixo” tem o significado do que rola a margem. Não é mais alimentar antigas dicotomias do eixo, mas uma lógica que insere, ao invés de excluir.

Um sinal de que as coisas estão mudando parte das próprias empresas. O selo OI FM, ao invés de optar por nomes consagrados, iniciou seu cast com a banda “Sobrado 112”, absolutamente desconhecida. E pelos resultados de vendagem, tudo indica um novo espaço de mercado. 200 mil pessoas pagaram R$ 4,00 para o download do disco (os consumidores estão principalmente nos celulares), o que gerou uma receita de R$ 800 mil, que cobre a produção do disco, o trabalho de marketing e gera lucro. Os próximos discos serão do Fino Coletivo e da compositora paulistana Luiza Maita.

Se pensarmos no circuito de bares e universidades, aliados aos festivais e às empresas, a cadeia produtiva e criativa da música independente passa a ter sustentabilidade. Sem esquecermos que nas 12 emissoras da OI FM esse cast de artistas independentes já começam a ser tocados, destruindo uma antiga resistência. O próprio disco do Macaco Bong, pertencente ao Álbum Virtual da Trama, é um bom exemplo do quanto a antiga dicotomia já não tem mais razão de ser.