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Coletivo Mundo em matéria na TV Itararé

domingo, março 14th, 2010

No programa Diversidade da TV Cultura/Itararé dessa semana, um dos destaques foi uma matéria com o Coletivo Mundo, onde eles mostram o ultimo Grito Rock e um bocado do nosso trabalho por aqui. A equipe veio nos visitar e bateu um papo com André Anterio, Rayan Lins e Carol Morena, além mostrar material das bandas Burro Morto, Nublado, Reis da Cocada Preta, Gauche e Cerva Gratis, imagens do Grito Rock, do nosso antigo estudio e alguns shows. Confiram aí!

Cobertura Grito Rock: Sábado

sexta-feira, março 5th, 2010

Gritos de sábado, gritos de sempre

Por Bruno Guimarães. Fotos: Rafael Passos


Sábado, último dia de apresentações do GRITO ROCK 2010. A noite, quente e límpida de verão, colaborou para que a maratona de shows ocorresse com um público superior ao que compareceu na sexta. Este interesse do público foi, sem dúvida, um dos pontos altos do GRITO ROCK deste ano. Nesta noite, a diversidade se mostrou, novamente, um dos grandes destaques: do hardcore ao indie rock; do experimental ao pós-punk. Quem compareceu aos dois dias do GRITO ROCK ouviu um pouco de tudo. E, certamente, não se arrependeu.

No palco do Espaço Mundo, iniciou-se a série de apresentações com a pessoense Iazul. Uma sonoridade explosiva, ágil, como o bom hardcore deve ser. Nada melhor para começar a última noite do GRITO ROCK em João Pessoa.

Iazul

Na sequência, a primeira banda a se apresentar no palco da Praça Antenor Navarro foi o Noskill. A banda, formada em 2005, é atualmente composta apenas por meninas. Mas quem esperava ver algo na linha “sexo frágil” enganou-se redondamente. Não há fragilidade no som do Noskill. Mas há o inegável toque feminino, a sensibilidade feminina, em suas músicas furiosas e diretas.

Noskill

O GRITO ROCK continuou urgente e furioso com a apresentação da Elmo, no Espaço Mundo. Riffs de guitarra afiados em navalha, cruciais e potentes de uma banda que, desde 2006, se firma como uma das melhores da cena hardcore local.

Elmo

A Antenor Navarro recebeu, em seguida, Os Reis da Cocada Preta. A banda apresenta uma sonoridade repleta de referências atualizadas (como The Killers, Arctic Monkeys, e Franz Ferdinand). Mas também mostra personalidade, em letras permeadas de críticas sociais e pequenas sátiras políticas. Um show divertido e que não fez o público se decepcionar.

Reis da Cocada Preta

O palco do Espaço Mundo recebeu, então, mais uma banda feminina da cena local: Bárbara. A banda, com seu pop instigante, mostra-se em plena ascensão, após ter aberto, recentemente, um show da baiana Pitty, em João Pessoa. Animadas e contagiantes, deram espaço para a próxima banda a se apresentar na praça, o Nublado.

Bárbara

Tocando, basicamente, as músicas que fizeram parte dos seus dois primeiros EP’s (Nublado, de 2008, e Vôo Livre, de 2009), o Nublado mostrou-se competente e seguro em sua apresentação na Antenor Navarro. Com uma inegável veia pop (mas não clichê) permeando melodias diretas e guitarras bem sacadas, a banda mostrou porque é considerada uma das grandes expoentes da recente safra de bandas de rock de João Pessoa.

Nublado

Coube ao Malaquias em Perigo dar continuidade à maratona de shows no palco do Espaço Mundo. Liderada por Diego Second, a banda mostrou-se bastante empolgante. Guitarras pesadas, no melhor estilo Queens of the Stone Age, e com uma sempre excelente performance de palco, a banda está prestes a lançar o seu primeiro EP, que deve sair ainda neste mês de março.

Malaquias em Perigo

Uma das bandas mais aguardadas da noite, a paranaense Nevilton correspondeu a todas as expectativas do público na Praça Antenor Navarro. Boas melodias, e uma sonoridade que passeia entre Los Hermanos e Strokes, Nevilton se assegura cada vez mais como uma das boas revelações do rock nacional. O show foi quente e contagiou até quem não sabia do que se tratava. Nevilton desceu do palco, se pendurou na estrutura do palco, pediu conhaque, bebeu, agradeceu e não parava de falar da alegria que estava em sentir que os 4mil quilometros percorridos até chegar aqui valeram a pena. Depois do show explosivo, ainda prometem o lançamento do primeiro disco em 2010.

Nevilton

Nevilton

As apresentações do Espaço Mundo se encerraram com o show da banda Ubella Preta. Certamente, a mais inusitada dos dois dias do evento. Experimentalismo e uma certa dose de psicodelia, surpreendendaram o público que assistiu a apresentação. A banda levou o seu show em fluentes improvisações, dando uma ótima impressão e abrindo alas para a última atração da noite, o Cabruêra.

Ubella Preta

Quase 3 horas da madrugada, Cabruêra entrou em campo, no palco da Antenor Navarro. E ninguém arredou o pé de lá antes que a banda começasse o show. Quem assistiu a apresentação da banda certamente presenciou um dos seus shows mais inspirados dos últimos tempos. Público e banda totalmente integrados numa apresentação que encerrou as atividades do GRITO ROCK 2010.

Cabruêra

Sem sombra de dúvidas, o festival GRITO DO ROCK consolidou-se definitivamente como um dos melhores festivais de rock já vistos em João Pessoa. Foram vinte apresentações em apenas dois dias, sem contar os shows espalhados pelo Circuito das Praças. Um crescimento considerável de interesse e disposição de produtores, bandas e público. Todos eles envolvidos, todos eles integrados. E que este grito seja cada vez mais ouvido nos próximos anos: grito de rock, de explosão e ousadia, de energia e contestação.

Festival Grito Rock fez o Centro Histórico de João Pessoa tremer

quarta-feira, março 3rd, 2010

Por Juliana Bandeira, da redação do JORNALONORTE.COM.BR

*

Quatro dias de muito rock’n roll. Quem foi ao Centro Histórico de João Pessoa neste último final de semana pôde conferir o melhor da cena undergrond da cidade no maior festival integrado do mundo. O Grito Rock acontece simultaneamente em mais em cerca de 80 cidades do Brasil, além de 4 cidades na Argentina, Bolívia e no Uruguai: Buenos Aires, Córdoba, Montevidéo e Santa Cruz de La Sierra. A capital paraibana não podia ficar de fora e organizou um evento com 20 bandas; duas delas de outros estados.

De acordo com a assessoria de imprensa do evento aproximadamente 1.500 pessoas estiveram no Centro Histórico, em cada noite da programação, um público bastante significante para a cena local.

Nos dois primeiros dias de festival, iniciado na última quarta-feira, dia 24, o público do Grito Rock pode conferir uma mostra de vídeos com documentários sobre a produção de outros importantes festivais no Nordeste. Com a idéia da divulgação do rock e do resgate da cultura underground na cidade de João Pessoa como principais motivações, o festival ainda realizou um debate com a presença de produtores e artista, aberto ao público em geral. A participação da secretária do Meio-Ambiente, Rossana Honorato, foi um dos destaques do debate já que proporcionou a discussão da realização de shows na Praça Antenor Navarro e em bares do Centro Histórico sem que signifique uma infração na lei, principalmente com relação à poluição sonora.

Desta discussão, surgiu a garantia da realização de um fórum público, no final de março, para debater a questão do zoneamento, que está diretamente relacionada à liberdade da produção cultural no Varadouro.

Ainda na quinta-feira, dia 25, bandas da programação do Grito Rock, como a paraibaníssima Cabruêra, se apresentaram no Ponto Cem Réis fazendo um esquenta do que estaria por vir.

Sexta-feira à noite a “brincadeira” começou pra valer no Centro Histórico. Dez bandas se revezaram em shows que faziam os palcos montados na Praça Antenor Navarro e no Espaço Mundo tremerem. Entre as atrações a banda cearense “A trigger to Forget.

Nesta mesma noite, bandas que estavam na programação do Grito Rock se apresentaram em algumas praças de Jampa, dentro do Projeto Circuito das Praças, em uma parceria com a Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). Isso permitiu com que o festival pudesse levar o rock a outros públicos e em diversos bairros da cidade.

No sábado, dia 27, outras dez bandas “botaram pra descer” no Centro Histórico. E se você está pensando que a “pancada do som” ficou por conta da “macharada” se enganou. As meninas do Noskill e da banda Bárbara se garantiram geral.

Mesmo sendo a primeira participação em um festival como o Grito Rock o quarteto da Bárbara tocou com propriedade e mostrou que ainda vem muito por aí. Depois de três anos juntas, já se preparam para lançar seu primeiro EP.

“Tudo de ficar pronto em abril. Até lá divulgamos nosso som através de eventos como esse, fazendo shows, e principalmente pela internet”, informou a baixista Mynne da Rosa.

O convite para participar do festival foi muito bem recebido pelas meninas.  Elas encaram a oportunidade como sendo um passo a mais na divulgação do som e da banda, além de poderem trocar e aprender com as outras bandas. “Já tocamos fora da Paraíba, mas nunca em um festival como esse, onde o público é bem maior com gente realmente disposta a curtir e a conhecer nosso som. Além disso, conhecemos outras bandas e podemos interagir; fazer contato. Com certeza a interação é uma das vantagens em participar de um evento assim”, revelou a vocalista Carol Jordão.

Para quem ainda não ouviu o som da Bárbara e não está a fim de esperar até o lançamento do EP, basta acessar o MySpace das meninas. Com letras sérias ou irônicas, numa pegada ora mais leve ora mais pesada, o público pode esperar, segundo Mynne, um “rock da alma”.

Se para a Bárbara a interação foi um dos pontos positivos do Grito Rock, para o trio paranaense da Nevilton, a oportunidade de tocar a primeira vez em João Pessoa já faz do festival um marco.

“Já tocamos no circuito paulista, em Cuiabá, em Maringá, mas ainda não tínhamos divulgado nosso som no nordeste. Essa é uma oportunidade e tanto, até porque encontramos um evento bem estruturado que nos dá a chance de atingir um público bem maior”, explicou o vocalista Nevilton.

Para os paranaenses o rock sempre foi um ritmo marginalizado e os festivais são grandes responsáveis no resgate da cena e na ascensão das bandas. Questionado sobre a história de bandas do cenário underground, que acabaram ascendendo, e estourando nas rádios de todo Brasil, como CPM 22 e, mais recentemente, Fresno, o baixista Lobão é enfático.

“Quem critica os caras, chamando de vendidos e tal, não sabem o que os caras tiveram que ralar para chegar lá. Desde que você não comprometa sua obra, há a necessidade de vender e a banda tem que encontrar esse equilíbrio. Não critico e nem julgo os caras”.

Sobre o próprio som, o trio paranaense não sabe bem como defini-lo. “È rock’n roll, as vezes estranho, mas é rock’n roll”, disse Chapola, o bateirista. Ficou curioso pra conhecer? Acessa o MySpace dos caras e tire suas conclusões. Ou então espere até o próximo festival.

Para saber mais sobre o cenário undergronund em João Pessoa basta acessar o site do Coletivo Mundo.

Sexta Feira no Grito Rock – Por Olga Costa

quarta-feira, março 3rd, 2010

Fotos de Rafael Passos

Nos anos 70 era usado como terapia. Doutor Arthur Janov ficou famoso por isso. Os efeitos foram parar no Plastic Ono Band. O grito eliminava o estorvo e mostrava a necessidade de ser ouvido. Gritamos durante décadas e quase nunca fomos ouvidos. Quem quer ver o que tem aqui? E se ouve rock?


Ainda bem que isso mudou... Um pouco.

Não queríamos a autoria da pedra que rola mundo afora. Queríamos apenas nos divertir.

O tempo passou. Hoje graças a tantos gritos, traduzidos em ações por outros tantos, temos em praça pública uma manifestação musical independente e cultural chamada GRITO ROCK. E graças também ao advento informático, espalha-se por diversas cidades do nosso país e também fora dele.

Nunca imaginamos isso. Não mesmo. Era coisa de filme sci-fi umas três décadas atrás, quando dois mil e um parecia uma data que jamais veríamos chegar.

Sex on the Beach traduz um pouco dessa ficção ao fazer surf music numa cidade onde inexiste litoral. A banda, radicada na cidade de Campina Grande, tem na sua formação, dois guitarristas, ambos de Maceió e o canhoto baixista de Aracajú. Apenas o baterista Tonny é da terra. Diego (um dos guitarristas) disse que a banda reflete os tempos atuais: o cosmopolitismo em todos os lugares. Nossa casa é o universo. Depois de tanto tempo, a grande rede que espalha por todo o planeta, quiçá fora dele também, inúmeras culturas de forma virtual, ainda está longe, muito longe de ser o real.

Já previa Lennon que o mundo seria um só. Ainda existem muitos sonhadores lá fora.

Apesar de ter ouvido apenas as duas músicas finais, a impressão foi arrebatadora: entrosada e despojada foram as primeiras palavras que surgiram entre as notas do mestre Dick Dale (atualmente com 72 anos). Na última música – uma adaptação de um clássico grego chamado Misirlou, que quer dizer “garota egípcia”, a banda incorporou outras canções tradicionais de nossa cultura. Misirlou se popularizou em cinco formas diferentes de estilos musicais – era a grande rede tecendo seus primeiros pontos. Diz a lenda que a primeira vez que se tocou essa música foi em 1927. A versão, provavelmente a mais popular, que conheceríamos depois, foi feita pelo Dick Dale em 1962. Sex on the Beach tem um EP imperdível onde todas as músicas são drinks, todos provados e aprovados pela banda, além de uma versão surpreendente de É Proibido Fumar. Até o agosto, existe a promessa de um CD inteiro. Para quem perdeu ou ainda não conhece, a banda voltará a tocar no Espaço Mundo dia 19 de março.

O grito saiu da praça e entrou para o mundo. O Espaço Mundo recebeu a segunda banda da noite com um publico entusiasmado com o som pesado da Retaliação – que conta com Guilherme Borges (Projeto50) na guitarra, uma importante referência local para diversas bandas. A Retaliação tem dois vocalistas e segue, musicalmente, uma vertente californiana que agrega bandas como Tool, Rage Against The Machine e Faith No More.

Seu Pereira e Coletivo 401 são músicos da Chico Correa & Eletronic Band. Falcão até apresentou como Chico Correa e Coletivo 401. Após corrigir o equivoco, o show seguiu com Victor Ramalho na bateria, Thiago “The Sílvias” no baixo e Esmeraldo na guitarra. O Coletivo percorre referências do passado/presente como Jorge Ben Jor e Gilberto Gil, ainda sob efeito da ditadura em versos disfarçados em Refazenda. O grito do Coletivo carrega um homem-bomba: “que veio me abraçar/de repente meu corpo no chão/de repente meu corpo no céu/saudades de ti/saudades de Che, de Zappata e Antonio Conselheiro, todos de guerras, todos juntos e embalados numa música só. Seu Pereira e Coletivo 401 é do palco e do mundo. Não poderíamos esperar menos.

Novamente Espaço Mundo, e agora o grito volta aos anos 70, aos ingleses (Led Zeppelin, Deep Purple, Girlschool) e americanos (Jimi Hendrix, Grand Funk Railroad, Runaways), e é proferido por um trio feminino (originalmente). Rayan Lins (Nublado) atua como baterista de apoio, enquanto alguma mulher não se aventurar a substituí-lo nas baquetas. Aliás, uma tarefa árdua: Rayan está tão integrado (apesar de pouco tempo) a Blue Sheep que a baterista seguinte terá que suar muito para chegar perto do que ele faz. Escolheram Foxy Lady e The Ocean (Hendrix e Zeppelin, respectivamente) para completar o ótimo repertório autoral, do qual, infelizmente, só foi lançado duas músicas em CD.

Lembro que ainda na desértica ilha lostiana, por volta de 2006, li uma resenha do Jesuíno André, para o Portal Rock Press, onde ele apresentava a banda Gauche (pronuncia-se “goxe”). Lembro ainda de ter ficado curiosa para conhecer a banda por conta das palavras ditas no texto. Gauche parecia perdida no palco da praça Antenor. Talvez a sonorização tenha sido o fator principal para a apresentação da Gauche ficar comprometida. Alguns músicos foram uníssonos em dizer que o som de palco estava ruim. Como nunca tinha visto nenhuma apresentação anterior deles, prefiro apagar esse momento e aguardar o próximo. Espero que o grito do Gauche possa ser ouvido depois.

Nos intervalos fiz algumas aquisições providenciais na banca de CDs e afins, comandada por Béa e Eveline.

A noite ainda continuou com outras apresentações que não foram registradas por esses ouvidos. Ao Grito Rock só resta dizer: Longa vida ao Grito! E longa vida ao rock, é claro!

Grito do Rock com diversidade e autonomia – SEXTA

terça-feira, março 2nd, 2010

Palavras por Bruno Guimarães | Imagens por Rafael Passos

Cerva Grátis (PB)

Grito do Rock, João Pessoa. Quem compareceu à Praça Antenor Navarro na sexta-feira (26) pode presenciar um evento da cada vez mais efervescente e diversificada cena de rock em João Pessoa. Uma cena em que não apenas as bandas protagonizam, mas também o público. E este compareceu em ótimo número ao local e viu um pouco do que João Pessoa, Campina Grande e Fortaleza têm de melhor. Público interessado e disposto a enfrentar uma maratona de shows com 10 bandas, divididas em palcos distintos, na Praça Antenor Navarro e dentro do Espaço Mundo.

Em 2010, o Grito do Rock- João Pessoa, cresceu e se solidificou. Buscou apoios, e fez ecoar o seu “grito” em patamares inéditos. Contando com variadas parcerias, dentre elas a Funjope, o Coletivo Farol e Natora, A parceria com a Funjope permitiu que o evento não estivesse restrito apenas a um local de shows. Nem somente a um palco. O Grito do Rock, este ano, está integrado à programação do Circuito Cultural das Praças de João Pessoa. Haverá, portanto, gritos aqui e acolá. Gritos de quinta-feira no Ponto de Cem Réis, com as bandas Cabruêra e Reis da Cocada Preta. Gritos desta sexta, com o primeiro dia de shows na Praça Antenor Navarro e no Espaço Mundo. E gritos de sábado, nestes mesmos locais, e em Mangabeira, Bancários, Bessa, Funcionários I e II e Alto do Matheus, integrando o Circuito das Praças.

A noite de sexta-feira ficou marcada pelo ressurgimento de um antigo palco de eventos da cidade: A Praça Antenor Navarro. Há pouco tempo atrás, era ali que aconteciam os principais eventos da cidade: São João, Carnaval, festivais organizados pela Prefeitura, e tantos outros. Após a reforma do Ponto dos Cem Réis, com uma área consideravelmente maior, boa parte dos eventos, antes organizados na Antenor Navarro, migrou para lá. Mas antes que esta praça, com seus simpáticos e multicoloridos casarões pudesse ser esquecida pela população local, o Grito do Rock e o Espaço Mundo a resgataram, provando que ainda pode receber e – comportar- eventos de médio a pequeno porte.

Sex On The Beach (PB)

O evento começou pouco depois das 19 horas, no Espaço Mundo. E quem ficou responsável por abrir a série de shows no local foi a campinense Sex on The Beach. Vinda das “praias” de Campina Grande o grupo, instrumental, executou o bom e velho surf music na noite quente de João Pessoa. Mostrando apuro instrumental, a banda agradou ao público que começava a se formar no Centro Histórico. Em seguida, no mesmo palco, foi a vez da sempre competente Retaliação, esbanjando fúria e contestação, com um rock predominantemente engajado.

Retaliação (PB)

Seu Pereira e Coletivo 401 (PB)

A partir das 21 horas, iniciaram-se os shows do lado de fora, na Praça Antenor Navarro. E quem começou a mostrar seu trabalho foi Seu Pereira e Coletivo 401. Formada por músicos competentes e tarimbados da cidade (todos eles fazem parte da prestigiada Chico Correa & Eletronic Band, e de outros projetos), a banda apresentou um repertório afiadíssimo, com apuro pop, associado a ritmos regionais e ao bom groove do funk.

Blue Sheep (PB)

Novamente no palco do Espaço Mundo, foi a vez da banda Blue Sheep. Um autêntico Power trio, antes totalmente feminino, mas hoje contando com a participação de Rayan, da banda Nublado, a banda mostrou um repertório com alguns clássicos do rock e do hard blues e músicas autorais. A confiança e atitude da banda – mesmo sendo formada, principalmente, por jovens garotas com pouco tempo de estrada- emprestam um charme indefectível ao grupo, com material novo recém lançado (e alvo de muitos elogios).

Gauche (PB)

Quem também está com EP novo no mercado é o Gauche, a segunda atração da noite no palco da Antenor Navarro. Mostrando um som que passeia pelo folk rock e a psicodelia dos anos 60, e o brit pop dos anos 90, o grupo é uma das mostras da diversidade de sons e de estilos que tem tomado conta da cena de rock de João Pessoa nos últimos anos.

Afetamina (PB)

Em seguida, entra no palco do Espaço Mundo Afetamina. Letras recheadas de humor sarcástico, com um som de garagem, pesado, e incansavelmente punk. Já no palco da Antenor Navarro, a Cerva Grátis não deixou o clima esmorecer. Rock beberrão, como eles mesmo se auto-definem, mas cada vez mais competente e bem produzida, a banda encarna o bom espírito do rock despojado (mas não despretensioso).

Cerva Grátis (PB)

Para encerrar os trabalhos no palco do Espaço Mundo, apresentou-se a banda Post Morten, de Campina Grande. O nome, pesado e sombrio, reflete naturalmente as suas referências- que vão do Death ao Thrash Metal. A banda tem cinco anos de existência e experiência para dar e vender, tendo participado de inúmeros festivais.

Post Morten (PB)

Soturnus (PB)

No encerramento da noite, ainda na atmosfera do Metal, apresentaram-se respectivamente Soturnus e A Trigger to Forget. A primeira, com 10 anos de estrada, com uma afiada sonoridade e com um ótimo registro fonográfico para mostrar – o CD “When Flesh Becomes Spirit”, de 2006. A cearense A Trigger to Forget foi a última a entrar no palco, mostrando o seu repertório avalizado em uma turnê pelo Nordeste, além de outros eventos.


A Trigger to Forget (CE)

Madrugada de sábado adentro, a primeira noite do Grito do Rock se encerrou. Com ótimo público e atrações que apresentaram diversidades para variados gostos, o evento deixou uma ótima impressão e uma boa expectativa para os shows de sábado, que acontecerão novamente na Antenor Navarro, e no Espaço Mundo, a partir das 19 horas.