Agenda
Pesquisa
Revista Noize #52
Curte aê
Twitter Mundo
Parceiros

Posts Tagged ‘os reis da cocada preta’

Entrevista – Os Reis da Cocada Preta

segunda-feira, dezembro 14th, 2009

From: Portal RockPress

Por Jesuino Oliveira

reis

Trilhando um caminho inverso, foi através do videoclipe de ??Monologo sobre a mudança? que obtiveram destaque imediato. Agora revendo o fato e analisando as circunstâncias, a banda formada por Jansen Gomes (vocal e guitarra), Felipe Ceará (baixista), Diego (bateria) e Marcílio (guitarra) apronta uma estratégia mais tradicional para expandir seu trabalho. Por sinal, todo material da banda (um EP, um disco cheio, fotos etc) já está disponível para download gratuito. Aproveitando, convocamos o líder e porta-voz do quarteto Jansen para responder algumas perguntas. Confira!

Você comentou sobre material gravado ou algo parecido…

Na verdade era a nossa pretensão ter outro material mesmo que demonstrativo para esse semestre, mas não é mais nossa prioridade. Tem outras coisas acontecendo e acredito que vamos gravar outro vídeo-clipe (pretensão também!). Mas isso já está bem mais adiantado em termos de projeto. Por enquanto estamos com aqueles dois discos que acredito que você os tenha e o clipe de ??Monólogo sobre a Mudança? que você já viu também. Estamos com idéias e um pré-roteiro (se é que posso falar assim) do clipe que será da música “Fetiche”. No mais esse é o nosso plano pra esse primeiro semestre e ai sim depois disso acredito que voltaremos a falar em CD novamente, e claro com músicas novas. Temos mais dez músicas, fora as onze que já tocamos nos nossos shows. Dessas dez, mais de cinco delas já foram mostradas ao publico pelo menos umas cinco vezes.

Fale-me de quando começou a banda.

Inicialmente a banda éramos eu e o Diego (baterista), isso em aproximadamente junho de 2006.  Fizemos alguns ensaios, decidimos o nome da banda graças a uma discussão de Diego com a mãe, onde ela disse que ele ??não era O Rei da Cocada Preta?, e aí eu comecei a apelidá-lo de o rei da cocada preta e com isso decidimos colocar esse nome. Em outubro conversamos com Marcilio e Ceará (guitarra e baixo respectivamente) e já conversamos sobre gravação de uma CD e ralar pra viver de música e tocar fora do estado. Dia 14 abril de 2007 fizemos nosso primeiro show, participamos dos dois maiores festivais da cidade no mesmo ano (Aumenta que é Rock e o Festival Mundo), tocamos em Fortaleza, Maracanaú (CE), Natal (RN), Olinda (PE), Campina Grande (PB) e em Recife (PE).

O que é a música pra você?

Música pra mim é a libertação de tudo que eu posso expressar das formas mais variadas e personificando varias pessoas e situações sem deixar de ser eu e ao mesmo tempo dizendo quem sou! ? a arte que mais tenho carinho, amor e paixão. E falando como parte de um todo, acredito que para todos Os Reis a música é o poder sonhar com algo melhor, é a diversão das nossas vidas de forma cantada e tocada. Se eles respondessem essa pergunta acredito que seu resumo seria isso.

Como você descreveria para quem não conhece o som da banda?

A descrição do que fazemos musicalmente é uma incógnita para mim. Acho que de forma bem grosseira seria voltar a dar ao rock a força dançante que ele tinha no seu inicio, para isso usamos muitas influencias dos anos 80. Misturamos: disco, ska, samba rock, brega, forró, pop rock… São tantas influencias musicais que nem eu saberia dizer o que somos. Foi por isso que decidimos nos intitular como ??alternativa?, por que podemos ser varias coisas ao mesmo tempo.

Em face das novas tecnologias e nas mudanças no mercado musical, como fazer sucesso hoje em dia?

Eu juro que eu ainda estou pensando como fazer isso. O nosso sucesso no Youtube, por exemplo, foi acidental, não esperávamos tantos acessos ao nosso clipe “Monólogo sobre a mudança”, quando vimos aquilo ficamos achando que finalmente, assim como o Pequeno Príncipe, conseguimos pegar um cometa mesmo não sabendo pra onde ele iria nos levar, mas não foi bem assim .Tivemos uma ótima visibilidade, entretanto ainda queremos ir mais longe. Foi surpreendente, mas totalmente inesperado. Estamos querendo desenvolver outro clipe, acho que essa é uma das melhores formas ainda de se divulgar uma banda pelas possibilidades que a TV proporciona, o que não quer dizer que o lançamento desse vídeo se dará apenas pela TV. Não esqueceríamos jamais do que a Internet fez por nós. Foi por causa dela que nosso clipe ficou tão visto e acho que conseguimos muito com isso, pois não conheço nenhuma banda daqui de rock que tenha um material de vídeo tão visto quanto o nosso. Sou orgulhoso por isso e fico ainda mais feliz em saber que incentivamos outras bandas a criarem seu material de vídeo também. Outra forma de conseguir esse dito sucesso é o envio de materiais a festivais alternativos, é uma ótima forma de circular por ai e levantar a vista das pessoas pra o que se produz na Paraíba.

Quem ou o que lhe inspirou a fazer música e montar uma banda de rock?

Antes d’Os Reis eu toquei em outras bandas de hardcore (Dead Nomads e Lamed Resh). Tinha a mente muito fechada pra música, ouvia Rolling Stones e pra mim não era rock (antes) até que conheci uma banda bem dançante chamada Bloc Party. Fiquei fascinado pelos riffs, pelo vocal e comecei a pensar em fazer uma banda nessa linha de rock dançante. Foi então que comecei a ouvir coisas com Jimmy Hendrix, Pink Floyd, Janis Joplin e bandas atuais também como The Strokes, Kings of Leon, Queens Of The Stone Age, Beatsteaks, Foo Fighters, Los Hermanos, Gram e tome música. Mas acho que basicamente foi isso: rock dançante com melodias envolventes. Com as letras a coisa já muda. Falamos de amor, mas temos a arrogância, como o nome da banda indica mesmo (risos), de tentar falar de uma forma diferenciada – ao menos tentamos, né? Enquanto Renato Russo – que me inspira demais – pergunta “Que país é esse?”, eu, em dialogo com ele, digo de forma irônica: “Esse é o meu país”(no 1º CD). Enquanto alguns passam em suas músicas filosofias sobre o amor dizendo que ele é “isso ou aquilo”, exemplo: “amar é sofrer uma boa dor”. Eu ouso em perguntar “do que é feito esse amor?” (no 2º CD).

O que você acha da atual cena rock paraibana?

Acho que somos uma cena em “fase jovem”, tipo 18 anos. Temos força de vontade, coragem, mais ainda não sabemos usar bem toda essa energia. Estamos amadurecendo a cada ano, temos bandas de estilos variados, cenário bem diferente dos anos 90 que havia muita banda de hardcore. Nosso cenário hoje é bem eclético e isso é ótimo, porque mostra a nossa diversidade, elemento da nossa regionalidade. O nordestino é por isso só uma mistura e acredito que temos expressado isso bem com as nossas bandas. Temos também dois festivais bem maduros: o Aumenta Que é Rock e o Mundo, cada um dando aos paraibanos a chance de conhecer grandes nomes do cenário independente.  Se pensarmos de forma limitada pensaríamos: “Pra que dois festivais?” Mas isso já mostra nosso potencial, nossa vontade, nossa força. Infelizmente parece que o rock paraibano tá esperando o seu “Nirvana”, aquela banda que vai fazer o nosso cenário ser mostrado para o Brasil, só que isso é bem complicado. Por isso considero de extrema importância a formação do Coletivo Mundo, que  pretende unir esforços pra mostrar não só uma banda em especial, mas todo o trabalho que a Paraíba tem desenvolvendo no que diz respeito ao rock.

Quais as perspectivas para a banda nesse ano?

Projeto a gente sempre tem de montante, né? Mas estamos querendo gravar outro clipe, gravar outro material também, ou pelo menos começar a gravar e estamos nos articulando pra começar a entrar nos circuitos de festivais pelo Brasil. As expectativas é fazer com que o nome da banda fique mais conhecido no Brasil, viabilizando os contatos e, claro, participar do máximo de festivais que pudermos. São as maiores expectativas pra esse ano eu creio.

Os Reis da Cocada Preta na web:
myspace.com/osreisdacocadapreta

‘Coletivo Mundo Apresenta’ de novembro – Como foi?

quarta-feira, novembro 25th, 2009

Fotos: Rafael Passos

Mais uma noite do Coletivo Mundo Apresenta aconteceu nesse último fim de semana, lá no Espaço Mundo. O evento é um compromisso que os membros do coletivo tem de organizar e produzir um evento onde role um intercambio com outras bandas, gerando uma circulação maior de cultura independente por aqui. Nesse mês de novembro aproveitamos a passagem da banda paulista ??Os Visitantes? pelo nordeste e inserimos João Pessoa em sua turnê. As outras duas bandas convidadas para a noitada foram da capital paraibana: Os Reis da Cocada Preta e a Nublado. Porém, de última hora os meninos da Nublado descobriram que foram selecionados para tocar no Rio de Janeiro, no Festival Petrobrás nas Ondas do Rock, e tiveram que desmarcar o show por aqui. Com isso, quem acabou entrando no lugar deles foi a banda Supermassiva, outra que faz parte do Coletivo Mundo.

antonio

E foi justamente a Supermassiva que iniciou a noite. Nova no cenário, composta por integrantes que já tocaram em diversas outras bandas daqui, hoje apostam nesse projeto. Mesmo com o atraso para a banda começar a tocar, o bom número de pessoas ali presente parecia não ligar para demora. Quando foi desferido o primeiro riff da música ??De volta ao rock n` roll?, já era possível ver que o rock iria ser dos bons. O som dos caras acaba sendo uma mistura entre Jet e Los Hermanos, com uma pitada de Pearl Jam. Se essa definição parece curiosa, eu garanto que o show dos caras é bem mais. Entre berros do vocalista e solos do guitarrista, foram botando mais gás no público com suas composições e alguns covers que os influenciam.

Um momento ímpar da apresentação da Supermassiva foi quando eles anunciaram que a próxima música seria ??Paranoid Android? do Radiohead. Ok, é um cover. Mas porra, não é todo dia que tem uma banda com coragem para tocaressa música ou qualquer outra do Radiohead. E, para alegria de todos, a música começou bem, com uma iluminação intimista para criar clima e o pessoal se garantindo muito na execução. De repente, na hora do ??rain down, rain down..?, o pedal do bumbo quebra. Quando todo mundo acha que a música vai parar, a banda continua e o público acompanha cantarolando. Foi bonito demais. Então, quando a bateria voltou a música ganhou um clima mais pesado e todo mundo entrou em êxtase. Depois dessa, quem assistia já tinha dado o esquente e queria mais. A Supermassiva ainda mandou mais duas músicas autorais bem bacanas e desceu do palco super aplaudida. ? legal ver uma banda nova fazendo um bom rock e botando a galera para dançar. Agora é aguardar o disco.

visitantes

A segunda banda da noite foi a Visitantes (SP), uma galera gente boa e de um som meio muita coisa: meio folk, meio tropicalista, meio rock, meio grunge e com canções em espanhol. No começo, o público ficou meio travado, talvez sem entender qual era a proposta da banda. Vale destacar como as vozes da banda são bem trabalhadas, bons backing vocals e com o vocalista tendo segurança nos tons graves e agudos. O público que tinha dado um dispersada, começou a prestar mais atenção no que era proposto e entrou na vibe também. Mas, mesmo com um baixista instigado o tempo todo, o show teve altos e baixos. Ou a galera estava afim de mais energia ou a própria banda estava um pouco cansada devido à turnê pelo Nordeste. Não sei bem ao certo. A certeza que ficou foi que, no final do show, dava para ver muita gente comentando as peculiaridades da banda e que o som dos caras é algo para ser escutado novamente para uma melhor assimilação. Enfim, ficou a sensação de que, se vierem de novo, o público se propõe a experimentar mais.

Quem ficou responsável para fechar o Coletivo Mundo Apresenta de novembro foi a banda Os Reis da Cocada Preta, figurinha carimbada na cena roqueira paraibana e conhecida pela suas apresentações bem animadas. Com um palco ornamentado com fotos dos integrantes simulando políticos, abriram o show com a música ??Esse é meu País? e já foram botando a galera para cantar junto. Já eram quase 2:15 da manhã, mas, quem estava no Espaço Mundo não queria trégua e acompanhou firme e forte a sequência de músicas: ??Fetiche?, ??Monólogo sobre a mudança? e o sambinha ??Como seria Se?. Para a minha surpresa, depois de muito tempo, vi Os Reis da Cocada Preta tocarem um cover. Era ??Take on Me? do A-HA, numa versão mais pesada. Depois dessa, a banda entrou num clima mais descontraído e colocou o outro guitarrista, Walter, para cantar. Pronto, foi o momento nostalgia do show! Rolou uma sequência com quatro músicas do Green Day e, na hora de ??Basket Case?, todo mundo estava dançando, pulando e cantando.

reis

Foi nesse clima de descontração que acabou o Coletivo Mundo Apresenta de novembro, contabilizando um público cada vez maior, curioso para assistir as bandas de fora e mais a vontade com os sons produzidos na cena roqueira pessoense. Que bom!