Coluna no PB1 – O Centro Vale Ouro
sábado, maio 15th, 2010Por Alberto Nanet em http://www.pb1.com.br/blog/coletivo-mundo/2010/05/15/o-centro-vale-ouro/
O bairro do Varadouro é, indubitavelmente, o berço da João Pessoa que conhecemos. Foi nas ruas de lá que as riquezas da nossa cidade eram negociadas, é la que fica o primeiro teatro da capital, assim como as primeiras igrejas construídas. Alí temos as primeiras histórias de tudo que depois foi construído além da colina. Por natureza o lugar invoca primícias.
Hoje, esquecido pelo poder público, a área não passa de uma zona de comércio. O valor turístico é quase não dado, e as iniciativas existentes são insuficientes para fazer o lugar crescer.
A tendência mundial de valorização de centros históricos já chegou a João Pessoa tem um bom tempo, no período da revitalização da praça Antenor Navarro, através de um convenio com o governo Espanhol. Isso aconteceu ha 10 anos atrás. A praça Pedro Américo também já passou por sua reforma e o Ponto de Cem Reis está uma beleza.
Mas porque cargas d´água não conseguimos ver um crescimento qualitativo no bairro?
O incentivo a moradia parou no tempo e na boa vontade de quem tinha que resolver o problema que empaca o projeto Moradouro. As casas e moradias existentes Na região existem muitos moquifos e pequenas vilas, e se o cidadão quiser ter o mínimo de condições de descanso no seu lar, tem que procurar as adjacências do Roger ou Tambiá.
O baixo meretrício esta entregue as baratas, já que as atrações culturais gratuitas não são mais levadas à praça Antenor Navarro. Até a Funjope que dava o ar de ??olhem, a prefeitura está aqui? subiu e foi pro Tambiá.
De qualquer forma convenhamos, só pão e circo não da.
Ainda há uma esperança, que é a reforma e urbanização da comunidade do porto de João Tota, depois da linha do trem no Porto do Capim. Mas segue a passos lentos porque bateu de frente com um monte de moradores que construíram suas casas irregularmente e também não podem ser despejados sem nenhuma responsabilidade.
Dessa forma ficamos num processo empacado, onde se revitaliza a estrutura mas não revitaliza-se a cultura.
Aqui no Varadouro poetas foram imortalizados, alguns não entraram para os anais da poesia mundial mas dão todo o sentido ao nosso lugar, a exemplo do poeta Caixa D´Água (que teve sua estátua construída ao lado do Teatro Cilaio Ribeiro e depois tiraram. Há quem diga que saiu andando por ai atrás de uma bicada) que vivia por essas ruas e contava histórias de quando os políticos subiam nos bancos das praças para fazer discursos inflamados.
Não está sendo dado o devido valor a história do nosso centro, e ficamos esquecidos entre lojas de móveis, roupas, eletrodomésticos, oficinas mecânicas, prédios de fachadas mal cuidadas, tentativas frustradas da iniciativa pública, e abandono total por parte da iniciativa privada.
O que é uma área de valores incalculáveis, e subavaliada meramente como zona comercial e daí impessoal, inumana. Os centros históricos no Brasil são as almas de suas cidades e não estamos dando a devida atenção.
??O Varadouro ainda pulsa, vive e retrata veias e o coração da velha cidade? Políbio Alves.
