Antes Tarde que Nunca
quinta-feira, abril 29th, 2010Texto Postado originalmente na coluna do Coletivo Mundo no Portal PB1
por Rayan Lins
Já tendo passado 20 minutos do horário acertado, entro na sala rapidamente torcendo para que role aquele velho atraso mas, para minha surpresa, sala bem movimentada e enchendo. Cumprimento os conhecidos, puxo uma cadeira, sento num cantinho e abro meu macbook para tentar acompanhar, ao mesmo tempo, a reunião do Nordeste Fora do Eixo. O clima na sala já era quente, mesmo não havendo oficialmente começado.
Minutos depois, fiquei ali, tentando compreender o mundo de cada uma daquelas pessoas e grupos. Ouvindo o que cada um queria falar naquele momento, o que cada grupo queria afirmar, o que cada artista tinha a questionar sobre suas carreiras e o tal do mercado. Eles tinham muito a discutir, pareciam explodir em alguns momentos e o sentimento geral era de mudança! Olhando os rostos que representavam naquela sala a música da cidade contemplada em sua diversidade é que percebi a importância daquela reunião em especial e que força esse grupo unido pode ter.
O fato do Fórum de Música de João Pessoa ser chamado através da Funjope, por si só, parece que gera uma vontade coletiva de desabafar sobre a entidade. É compreensível que muitos desses momentos aconteçam até que todo o grupo se conheça e se estruture, para que daí então as discussões sejam mais focadas em ações e propostas para melhorar nosso setor e toda a cadeia produtiva da música.
A reunião oficialmente termina, com apenas uma pauta sendo discutida, mas com todos já compreendendo qual deve ser o ritmo do grupo. A partir daí várias rodinhas se formam, todos querem se conhecer, elogiar o trabalho do outro, dar início a novos projetos e nessa ebulição de idéias e vontade, eu só sei que a reunião pra mim só terminou oficialmente na macaxeira do zé, lá nos Bancários, acompanhados de pessoas que realmente não poderiam ir pra casa sem ter a certeza de que esses encontros irão continuar e gerar frutos!
Um fórum com representatividade daquelas figuras presentes, contando com parceiros de primeira instância como Funjope e Sebrae, além de encontrar gerações da música paraibana, merece muito respeito. Esse trabalho é de todos e não pode ser empurrado com a barriga, pois a hora é agora e quem não vai pra batalha nunca ganhará a guerra que é ser músico independente nesse estado. Nós estamos de olho nos bunda-mole!
Eu não sei se será dessa vez que toda a classe musical da cidade vai realmente se organizar e gerar ações verdadeiramente coletivas em prol desse segmento, mas de uma coisa eu tenho certeza, eu consegui enxergar muito potencial naquele grupo que se reuniu expremido entre sofás e cadeiras do Casarão 34, numa noite de segunda-feira.
E pode ter certeza, esse cenário só muda com muito trabalho coletivo! A Paraíba tem música de qualidade, tem rock e tem mpb, o resto a gente corre atrás. Já dizem por aí e eu acredito fielmente que o lema não é mais do it yourself! e sim do it togheter! Somente unidos teremos a força que precisamos para organizar toda a cadeia produtiva da música novamente, com novas e velhas cabeças, mas sempre apontando novas possibilidades pra oxigenar esse mercado!
ps.: Casarão 34, na Praça do Bispo, segundas-feiras, as 19h. Apareça!
Apareça! 



